img_9848editadaUm combustível mais barato e de menor impacto ambiental, o Gás Natural Veicular (GNV) ganhou mais força no Estado nesses últimos meses com o aumento do ICMS sobre a gasolina e o etanol (de 25% para 30%) no começo do ano. Essa é a percepção de usuários e de fornecedores de equipamentos de adaptação dos automóveis e do próprio gás. O número de veículos capazes de também utilizar o combustível no Rio Grande do Sul passou de 61.111, em setembro quando foi aprovado o aumento de impostos , para 61.449 em dezembro.

Outra questão que deve favorecer a migração para o GNV é a perspectiva de mais postos comercializarem o produto. Atualmente, o Estado conta com 80 revendas de gás natural veicular, espalhadas em 28 cidades. O diretor-presidente da Sulgás, Claudemir Bragagnolo, estima em cerca de 25% o incremento que se dará desses complexos em 2016. A tendência é que a maioria dessas unidades sejam abertas em municípios que ainda não possuem essa alternativa. O presidente da estatal revela que uma das cidades com as negociações adiantadas é Soledade.

Bragagnolo enfatiza ainda o bom desempenho das vendas no Litoral Norte, que registrou um crescimento de cerca de 40% na comercialização do combustível nos meses mais recentes. Assim como os veranistas, os turistas argentinos também contribuíram para o aumento do uso do gás.

O diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Veículos e de Peças e Acessórios para Veículos no Estado (Sincopeças-RS) Alexandre Meditsch confirma que o mercado aqueceu, com destaque para dezembro e janeiro. O empresário atribui o fato ao encarecimento da gasolina, que superou a elevação do custo do GNV (a Sulgás reajustou em 6% o valor do combustível no começo deste ano).

Segundo a Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP), em janeiro, enquanto o preço médio do litro da gasolina era de R$ 3,899 nos postos, o do metro cúbico do GNV era de R$ 2,56. Em dezembro, os valores eram respectivamente R$ 3,631 e R$ 2,43. Já em Porto Alegre, no mês passado, o litro da gasolina tinha um preço médio de R$ 3,963; e o GNV, R$ 2,610. Em dezembro, na Capital, a gasolina estava custando, em média, R$ 3,669; e o GNV, R$ 2,489.

Apesar do cenário, Meditsch recorda que o segmento já foi muito mais relevante. Em 2004, eram 37 oficinas convertedoras certificadas na capital gaúcha e mais de 130 no Rio Grande do Sul. Hoje, não passam de 30 no Estado e apenas quatro em Porto Alegre, demonstrando a retração do mercado. O integrante do Sincopeças-RS argumenta que esse fenômeno se iniciou em 2005, quando o governo federal começou a dar declarações sobre a escassez de gás natural.

Meditsch cita o caso da sua própria oficina, que chegou a fazer cerca de cinco conversões por dia, posteriormente caindo para duas ou três por mês. No momento, esse número subiu para até cinco por semana. Uma preocupação do empresário é que se o mercado de GNV der um novo “salto”, não haverá empresas e fornecedores para atender a essa demanda. “Agora, temos um mercado aquecido, mas não tem produto”, frisa.

 

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