Entre os dias 26 e 28 de junho foi realizada de maneira online a Feira Brasileira de Jovens Cientistas (FBJC). Em sua primeira edição, o evento reuniu 700 cientistas pré-universitários de todo país, incluindo três projetos do Campus do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). A feira, totalmente online, foi idealizada por jovens do país com experiência em pesquisa, entre as quais a egressa do Campus do IFRS, Juliana Estradioto, com o objetivo de democratizar o acesso a oportunidades científicas.

O evento foi transmitido pelo canal do Youtube da FBJC, com mais de 60 mil visualizações. Ao todo, 284 projetos de pesquisa apresentados concorreram à primeiro, segundo e terceiro lugares em suas áreas, além de credenciamentos para outras feiras, inclusive internacionais, patrocínios, entre outros prêmios.

A FBJC também contou com mais de 60 workshops, painel, palestras, atividades culturais e a Maratona de Inovação, um dos pontos altos do evento. Para essa competição, seis alunas do IFRS da cidade se juntaram para formar a Equipe STEM Girls Osório. Ao todo 56 equipes participaram de três dias de desafios voltados à inovação, criatividade, resolução de problemas e design thinking e a equipe do Campus formada pelas jovens cientistas: Amanda Di Lorenzi, Camily Pereira, Fabíola Pelissoli, Júlia Destro, Natália Bernardo e Victórya Leal acabou terminando na segunda colocação da Maratona de Inovação.

O PROJETO

As alunas criaram um novo sistema, a partir do projeto social ‘Aqualuz’, cujo objetivo era potabilizar água pluvial, vinda de cisternas, para o semiárido brasileiro. Aumentar a capacidade de purificação, que era somente 30 litros de água por dia, era o desafio. E também precisavam escolher um setor para atendimento: hospitalar, industrial ou escolar.

A opção foi pela área hospitalar, onde um leito consome, em média, 450 litros de água diários. A solução apresentada foi utilizar tubos a vácuo de aquecimento solar, reservatórios de água e uma eletroválvula acionada por um termostato para garantir o aumento da capacidade de potabilização para 840 litros de água por dia em pouco tempo de processo e melhor custo-benefício em relação ao sistema AquaLuz.

A FALA DAS PREMIADAS

Natália Bernardo, do 4° ano do curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio, destaca que a maior adversidade enfrentada na Maratona de Inovação foi trabalhar com temáticas com as quais ainda não tinham contato. “Tivemos que desenvolver o projeto numa área desconhecida pra gente, de engenharia com foco na questão da água. Mas nos preparamos muito, com reuniões fora do horário da atividade para estarmos afinadas pra lutar pela premiação. Estamos com a sensação de dever cumprido”, afirmou Natália. A estudante também conquistou o terceiro lugar na área de Ciências Humanas com o trabalho ‘Análise de iniciativas envolvendo o uso da lógica de programação para o desenvolvimento do sistema educacional no Ensino Médio’.

A pesquisa orientada pela professora Anelise Kologeski, analisa a eficiência da implementação da Lógica de Programação, fornecendo um material para docentes e demais pesquisadores para que possa ser incentivada a inclusão digital em suas instituições de ensino.

Para Victórya Leal, participar da atividade abriu novos horizontes: “Essa Maratona me mostrou que existe um caminho gigante de opções na minha frente! Posso responder minhas perguntas sobre mundo com engenharia, as ciências ‘duras’, pois esses espaços também são para mim. Entendi que em ciências sociais, em ciências exatas ou em engenharias o meu coração de cientista sempre irá buscar pelo diferente, pela inovação!”, declarou a estudante do 2° ano do Técnico em Administração Integrado ao Ensino Médio do IFRS.

Victória conquistou o quarto lugar no Prêmio de Apoiadores – Democratização à Ciência Mettzer. A sua pesquisa, orientada pelo docente Márcio Pozzer, visa auxiliar no aprimoramento da administração pública do município, principalmente na área cultural, em que há, historicamente, carência de informações e banco de dados sobre os pequenos municípios brasileiros.