Fundada no dia dois de junho de 1955 para orientar o pequeno agricultor a acessar crédito supervisionado e desenvolver a agricultura e o bem-estar da sua família, a criação da Ascar teve como protagonista o diretor do Banco Agrícola Mercantil S.A., Kurt Weissheimer, também presidente da Ascar. A primeira turma, com 28 extensionistas rurais, continha 15 mulheres da área de bem-estar e 13 homens da área agronômica. O grupo fez o “pré-serviço” (treinamento) na Fazenda Ipanema, em São Paulo. De volta ao RS, os extensionistas colocaram em prática um dos mais tradicionais métodos de Extensão Rural, “visita às propriedades rurais”.

No dia 14 de março de 1977 foi então criada a Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS), que se somou à Ascar. Unidas, a Emater/RS e a Ascar passaram a revigorar e a integrar o Sistema Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, sob a coordenação nacional da então Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater), com a missão de promover o desenvolvimento técnico-social.

MELHORIAS E PROGRAMAS

Entre os projetos e programas desenvolvidos ao longo da história da Ascar, destaque para a Operação Tatu, desencadeada a partir de 1964, como estratégia para frear o êxodo rural, apontando alternativas para melhorar a produtividade de terras consideradas inférteis.

O Programa Estadual de Melhoramento e Fertilidade do Solo se expandiu pelo Estado a partir de 1968 com o envolvimento direto da Ascar e da Faculdade de Agronomia e Veterinária, por meio de convênio entre a Ufrgs e Universidade de Wisconsin (EUA), além da Secretaria da Agricultura, Ministério da Agricultura, agricultores, agentes de crédito e entidades parceiras locais. 

Os resultados obtidos contribuíram para que o Ministério da Agricultura e o Banco do Brasil fomentassem uma linha de crédito específica para correção da acidez e fertilidade do solo. A partir deste momento, o BB lançou uma linha de crédito específica, com subsídios do Governo Federal e com prazo de pagamento estendidos para de três a cinco anos. As linhas de crédito permanecem até hoje, porém sem subsídio.

TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIAS

Foi entre as décadas de 70 e 80 que a transferência de tecnologias se tornou uma marca da ação extensionista, em especial a partir da criação da Embrapa, em 1972, e da Embrater, dois anos depois. É a partir daí que se concretiza a etapa em que a tecnologia chega aos agricultores – algo diretamente relacionado à expansão do crédito rural e do incentivo à produção de tratores e outros veículos de eletrificação rural e de fertilizantes e agroquímicos.

Nesse período, os problemas a serem enfrentados pela Extensão Rural já não eram de produção, mas de desemprego no campo, de elevada inflação e de dívidas, condição que, acreditava-se, a lavoura mecanizada teria potencial para contornar. O objetivo era ainda o de qualificar a ação dos órgãos existentes. A partir daí, a expressão “transferência de tecnologia” tem sua lógica levemente alterada e o conhecimento se difunde, passando a ter como pauta o desenvolvimento rural sustentável, algo que permanece até hoje.

PROJETÃO E AGROINDÚSTRIAS

Um marco na história da Aters gaúcha é o Projetão, Plano Estadual de Extensão Rural, implementado pela Emater/RS-Ascar entre 1981 e meados de 1985. O objetivo era aumentar de forma significativa o volume da produção e os índices de produtividade da agricultura gaúcha, por meio da transferência de tecnologia agropecuária e gerencial.

Dirigindo fuscas e motos, modelo TT 125cc, os cerca de 300 profissionais da Emater/RS-Ascar levaram muito mais do que informações e conhecimento aos agricultores dos 51 municípios onde o Projetão foi implementado. O grande diferencial foi a interiorização de técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos, que passaram a residir e atuar em distritos ou comunidades, no intuito de uma maior integração técnico-produtor. O fomento à produção e o beneficiamento de alimentos sempre fizeram parte do trabalho de Aters desenvolvido nos últimos 65 anos em todo o RS.

Juntas até hoje, a Emater/RS-Ascar executa as principais ações, programas e políticas públicas. Na trajetória de 65 anos, a Instituição tornou-se referência no uso de metodologias de comunicação e de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters), atualmente atuando em parceria com a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e tendo, como gestores, o presidente, Geraldo Sandri, e diretores Alencar Rugeri (técnico) e Vanderlan Vasconselos (administrativo).