A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) anunciou na manhã desta quinta-feira (3), a descoberta de um local supostamente usado por parte da quadrilha que atacou com explosivos o Banco do Brasil na cidade de Criciúma (SC). A propriedade, utilizada como base de apoio, fica na Rua Porto Guerreiro, na localidade de Santo Ângelo da Guarda, entre a BR-101 e a ERS-494, próximo da Lagoa Itapeva, na divisa entre os municípios de Três Cachoeiras e Morrinhos do Sul.

Os efetivos do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da PMSC e da Brigada Militar (BM) realizaram a operação a partir do final da noite de quarta-feira (2), a qual que se estendeu na manhã desta quinta. Um indivíduo foi preso. Roupas camufladas com sangue, acionadores para explosivos, colchões, radiocomunicadores e um veículo furgão foram apreendidos no local. Os policiais também encontraram no local, vários vestígios que indicam participação no roubo bancário. Segundo a polícia, o preso alegou que recebeu cinco mil reais para ir até este sítio e queimar tudo que estava no local.

CINCO SUSPEITOS PRESOS

Na quarta-feira, cinco suspeitos do assalto ao banco em Criciúma foram presos nesta pelos agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Conforme a PRF, três deles foram abordados em um Citroën C4, com placas de Brasília (DF), na BR-101, entre Passo de Torres (SC) e Torres (RS). O trio chegou a apresentar identidades falsas, mas os policiais confirmaram que dois deles já eram foragidos. No veículo estava uma quantia em dinheiro no valor de 49 mil reais.

Os outros dois indivíduos foram localizados na BR-116, em São Leopoldo (no Vale dos Sinos), sendo levados para Porto Alegre.  Eles estavam a bordo de um HB20, onde foram encontrados cerca de oito mil reais. Há suspeita de que o veículo tenha sido usado como um batedor — para tentar evitar que os demais fossem identificados em barreiras policiais.

OUTRAS PRISÕES

Duas pessoas com suspeita de envolvimento no ataque a banco em Criciúma foram presas no final da manhã desta quinta-feira (3), em Gramado, na serra gaúcha. Segundo a Polícia Civil, um deles foi identificado como um criminoso com envolvimento com a maior facção do país, com origem em São Paulo. De acordo com informações da Gaúcha ZH, um dos presos trata-se de Marcio Geraldo Alves Ferreira, o Buda.

Conforme a chefe da Polícia Civil, delegada Nadine Anflor, as prisões aconteceram durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em uma residência. Além do preso vinculado à facção, outro homem teria tentado escapar do local e se embrenhado em um matagal, mas acabou detido.

Na tarde de quarta, uma mulher de 31 anos foi presa em São Paulo (SP) suspeita de participação no mega-assalto. Ela foi localizada, após uma denúncia, no Jardim Reimberg, Zona Sul da capital paulista. Com a mulher os policiais encontraram malotes de dinheiro do Banco do Brasil, que serão periciados. Na terça-feira (1), um galpão usado pelos criminosos já havia sido encontrado pela Polícia Militar na cidade vizinha de Içara (SC), a cerca de nove quilômetros de Criciúma.

O ROUBO

Cerca de 30 pessoas encapuzadas assaltaram uma agência do Banco do Brasil no Centro de Criciúma às 23h 50min de segunda-feira (30/11). A ação durou uma hora e 45 minutos. Pessoas chegaram a ser feitas de reféns e cercadas por criminosos; houve bloqueios e barreiras para conter a chegada da polícia. Um PM ficou ferido durante a operação. Ele precisou passar por cirurgia e segue internado. Ninguém morreu.

Os criminosos fugiram e parte do dinheiro ficou espalhada pelas ruas da cidade. O valor levado e abandonado não foi calculado ainda. Quatro moradores foram detidos após recolherem R$ 810 mil que ficaram jogados no chão devido a explosão durante o assalto. Os criminosos também deixaram 30 quilos de explosivos para trás. A polícia não sabe o total utilizado.

Até o momento, 10 carros usados no assalto foram apreendidos em um milharal de uma propriedade privada em Nova Veneza, a noroeste de Criciúma. Nove deles eram blindados. Segundo o Instituto Geral de Perícias (IGP), os veículos foram pintados de preto para camuflar. A PM, baseada em manchas de sangue encontradas em dois carros, calcula que dois criminosos tenham se ferido.

Em nota, o Banco do Brasil disse que funcionários não foram feridos, que não há previsão para reabertura da agência e que não informa “valores subtraídos durante ataque às suas dependências”. Já as autoridades de Santa Catarina afirmam que este foi o maior assalto da história do estado.

Foto: PMSC