17919751A Rainha do Mar provou ter forças até para unir gerações nas areias de Cidreira, no Litoral Norte, durante as homenagens a ela, entre a noite de segunda-feira e a madrugada desta terça — data em que também se comemora o Dia de Nossa Senhora dos Navegantes. Milhares participaram da Caminhada Luminosa e dos festejos nas águas.

De um lado da orla, a professora aposentada de História, Isabel da Silva, 69 anos, do Jardim Bento Gonçalves, em Porto Alegre, celebrava 30 anos de participações nas festas para Iemanjá na cidade. Ao lado de filhos, netos, genro e sobrinhas, ela acendeu velas nas areias da praia, pouco depois da 1h da madrugada. Enquanto iluminava um trecho da orla, Isabel recordou que em três décadas jamais faltou à festa em Cidreira. Até quando ocorreu uma tempestade de areia na orla, na década de 1990, ela insistiu e participou.

— Vim para agradecer pela vida e pedir saúde e o bem para todos da família. Nossa Mãe Iemanjá tem forças para nos desviar dos caminhos ruins — justificou.

Em outra parte, os casais Janaia e Marcio Almeida, de 34 e 32 anos, respectivamente, e Natallia e Leandro Almeida, de 24 e 23, estreavam com uma oferenda à Iemanjá. Moradores da Morada do Vale 3, em Gravataí, os quatro chegaram à Cidreira com o objetivo de decorarem um barco para lançá-lo ao mar e, em seguida, retornarem à Região Metropolitana porque todos trabalhariam no início desta terça.

— Pedimos paz e prosperidade — sintetizou Janaia.

— Também agradecemos pelo bom 2015 que tivemos — comentou Janaia, pouco antes de entrar nas águas de Cidreira para deixar um barco com velas e flores.

Maior estátua

Junto com a entrega das oferendas ao mar, os devotos aproveitaram para ver de perto a maior estátua de Iemanjá do Estado. Numa caminhada luminosa que iniciou por volta das 22h na Concha Acústica, no Centro, até o futuro santuário, os devotos percorreram 3km a pé, comandados pelos representantes da Federação Afro Umbandista e Espiritualista do Rio Grande do Sul (Fauers), que organizaram o evento pelo 22º ano consecutivo.

Na chegada ao antigo terminal, aplausos e vivas para a estátua de Iemanjá. A imagem de 8m30cm, que custou R$ 160 mil à prefeitura, está localizada no antigo terminal rodoviário da cidade – que se tornará santuário de Iemanjá. Sob chuva de fogos de artifício, a Mãe das Águas ganhou um manto azul de cetim. Esculpida em cimento a 600m da orla, ela é uma tentativa da prefeitura de resgatar o turismo religioso que, em décadas anteriores, destacou o balneário no calendário do Estado.


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