A Polícia Civil (PC) indiciou um casal pela ocultação do cadáver de um homem que estava desaparecido há quatro anos em Arroio do Sal. A mulher de 59 anos também responde por homicídio e por ter comunicado uma ocorrência falsa. No último dia 12 desse mês, uma ossada foi localizada enterrada na residência onde eles viviam. O local é o mesmo onde Jonathan Martins de Almeida havia sumido em dezembro de 2016. Para a polícia, ele nunca deixou a moradia. A investigação concluiu que ele foi assassinado pela companheira na época e teve o corpo escondido. 

No entendimento do delegado Adriano Koehler Pinto, o crime teria sido cometido por ciúme. Ele decidiu indiciar a mulher por homicídio qualificado, por ocultação de cadáver e por ter comunicado falsamente abandono de lar. O atual marido dela deve responder por ocultação de cadáver. A ossada que seria de Jonathan estava enterrada sob uma área de serviço. Para a polícia, o pedreiro, companheiro da suspeita, teria sido o responsável pela obra, realizada após a morte da vítima. Os dois tiveram prisão preventiva decretada. Os nomes deles não foram divulgados. 

A defesa do casal afirma que a mulher pretende confessar o crime à polícia e alega que o marido não possui envolvimento no caso. Por isso, na segunda-feira (23), foi feito pedido que os dois sejam ouvidos em novo depoimento. Vale ressaltar que após serem presos, o casal decidiu permanecer em silêncio. Conforme o delegado, a solicitação foi remetida à Justiça, que precisa autorizar as “oitivas” (ato de ouvir as testemunhas ou as partes de um processo judicial), já que os dois estão presos. 

O crime

Em dezembro de 2016, Jonathan fez o último contato com os familiares – a maior parte reside em Uruguaiana, na Fronteira Oeste. Em janeiro, a então companheira dele procurou a polícia e informou que ele havia saído de casa. Os dois moravam na Avenida Medeiros de Quadros, no bairro São Jorge. Jonathan trabalhava em uma empresa de vigilância e, quando sumiu, deixou a motocicleta que havia comprado e não recebeu os pagamentos pendentes no trabalho. 

Meses depois, suspeitando que algo pudesse ter acontecido, a família procurou a polícia e registrou o desaparecimento. Mas até então nenhuma pista concreta sobre o paradeiro de Jonathan havia sido obtida. Nesse período, a ex-companheira dele iniciou novo relacionamento e casou em 2018. Ela seguiu morando na mesma casa onde eles viviam em Arroio do Sal.

Em 12 de novembro de 2020, após receber uma informação anônima, a polícia fez buscas na casa. Com auxílio de cães farejadores, a ossada foi encontrada enterrada, sob a área de serviço. A mulher e o atual marido foram presos em flagrante por ocultação de cadáver. Para confirmar se realmente são os restos mortais de Jonathan, o material foi encaminhado para perícia. O DNA da mãe do desaparecido será comparado com o material coletado na ossada. 

A defesa

O advogado responsável pela defesa do casal, Vitor Hugo Gomes, informou que a mulher presa pretende confessar que matou o companheiro há quatro anos e que escondeu o corpo dele no pátio da casa. Gomes diz que a mulher já lhe detalhou como se deu o crime. Ele pretende que ela faça o mesmo à polícia. O advogado diz que ela contou ter matado Jonathan durante uma discussão, com um golpe na cabeça. Conforme a defesa, a mulher teria batido nele com uma garrafa de cerveja de um litro. 

A defesa alega que a mulher não tinha ciúme do companheiro, conforme a versão dela. Ainda de acordo com o advogado, ela diz ter cometido o crime sozinha e por legítima defesa. Ela afirma, nesta versão, que só conheceu o marido dois anos após o crime, que eles se casaram poucos meses depois, e que ele não tem relação com o caso. Da mesma forma, segundo o advogado, o marido confirma que não sabia de nada até a ossada ser descoberta na casa. O advogado quer que ele seja ouvido para relatar isso à polícia. 

Foto: PC