Entre quinta (18) e sexta-feira (19), foi realizada, na 1ª Vara Criminal de Tramandaí, a audiência sobre o processo da morte de Miguel dos Santos Rodrigues. Ao todo, 25 pessoas foram ouvidas, incluindo as rés Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues e Bruna Nathiele Porto da Rosa, mãe e madrasta, respectivamente, do menino.

O depoimento das duas ocorreu na sexta. Enquanto Yasmin se manteve calada durante toda a sessão, a ex-companheira dela, Bruna Nathiele, resolveu falar. A madrasta de Miguel atribui toda a responsabilidade a Yasmin pela morte do menino. Vale ressaltar que, as duas estão respondendo pelos crimes de homicídio, tortura e ocultação de cadáver.

Ela confirmou que Miguel era deixado dentro do guarda-roupas do quarto da pousada onde os três moraram por duas semanas. Contudo, alega que Yasmin é a responsável e que se sente arrependida de não a ter impedido de cometer o crime. Porém, o Ministério Público (MP), discorda e atribui a ela igual responsabilidade.

A advogada de Bruna, Helena von Wurmb, sustenta que ela não teve participação no crime, pois estaria na sala enquanto Yasmin agrediria o menino no quarto. Segundo ela, a defesa ainda não teve acesso aos vídeos incluídos nos autos do processo. Já o advogado de Yasmin, Tomás Antônio Gonzaga, disse que não teve acesso integral ao processo e que a cliente só irá se manifestar caso vá a plenário.

Momentos de tensão

Cerca de uma hora após o início do interrogatório de Bruna, a defesa pediu para que a cliente saísse da sala de audiência para tomar um remédio. A advogada alega que ela se sentiu pressionada pela reprodução dos vídeos e, por isso, precisou de atendimento médico. O juiz Gilberto Pinto Fontoura autorizou e, quando Bruna voltou, cerca de cinco minutos depois, pediu para ficar em silêncio e não falou mais nada.

Durante o depoimento dela, inclusive, o juiz demonstrou emoção e chegou a chorar. Isto fez com que a defesa de Yasmin pedisse a suspeição do magistrado, “tendo em vista que o mesmo demonstrou ficar emocionalmente abalado”, conforme o advogado Tomás. Porém, o juiz Gilberto Pinto Fontoura negou o pedido, reconheceu o abalo emocional, mas disse que “isso de forma alguma gera qualquer indicativo de parcialidade”. As defesas podem recorrer a instâncias superiores.

Relembre o caso

Miguel dos Santos Rodrigues, de sete anos de idade, foi dado como desaparecido no dia 29, data em que o Corpo de Bombeiros Militar iniciou as buscas. Porém, segundo a Polícia Civil, a mãe admitiu que a criança foi morta e atirada no Rio Tramandaí dois dias antes.

De acordo com o Ministério Público, o menino vivia sob agressões e violência, e foi assassinado porque as mulheres o consideravam um “empecilho” para a vida do casal. A procura foi suspensa pelos bombeiros depois de 48 dias. O delegado responsável pelo caso, Antonio Carlos Ractz, comentou que não existiam mais razões técnicas para manter as buscas pelo corpo de Miguel.

A investigação revelou que a mãe e madrasta de Miguel andaram cerca de dois quilômetros com uma mala em que estaria o corpo do menino. Imagens de câmeras de segurança flagraram as duas carregando o objeto com a criança dentro.  A perícia confirmou que o DNA encontrado dentro da mala é o do menino, bem como o sangue identificado em uma camiseta e em uma corrente. Vale ressaltar que, em uma das etapas da investigação, a Polícia Civil revelou pesquisas que teriam sido feitas por Yasmin no celular. Nas consultas, a mãe do menino buscava informações se “digitais humanas saem na água salgada do mar”.

Foto: Kémili Valduga


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