OSÓRIO – A Justiça definiu na manhã desta terça-feira (23) a data do julgamento do ex policial militar, Alexandre Abe. O réu confessou o assassinato do boxeador osoriense Tairone Silva, em março de 2011.
O julgamento chegou a ser iniciado do último dia 2 de abril desse ano, mas após a defesa de Abe alegar falta de segurança e abandonar o local, A juíza Anna Alice da Rosa Schuh achou por bem encerrar a sessão. Ela ainda resolveu acatar o pedido da acusação e decretou a prisão preventiva do réu, além de aplicar uma multa de 50 salários mínimos aos advogados do ex policial por entender que eles queriam apenas tumultuar o julgamento.
Uma nova data para o julgamento foi marcada para o dia 6 de junho, mas em maio uma decisão do Tribunal de Justiça (TJ) acabou alterando tudo. Após ter sido detido na Comarca de Osório, em maio um habeas corpus deu o direito de Alexandre aguardar em liberdade até o júri.
No dia 29 de maio o TJ aceitou o pedido da defesa de Abe e transferiu o julgamento para Porto Alegre. Os advogados novamente justificaram o pedido alegando falta de segurança na Comarca local. Com a decisão de transferir o local do júri, a data da nova sessão ficou indefinida. Entretanto nesta terça-feira foi definido que o novo julgamento deve ocorrer no próximo dia 26 de setembro na capital gaúcha.

O CASO
Abe é acusado de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. O réu confessou ter matado Tairone em audiência, antes de ser pronunciado ao júri, mas alegou ter agido em legítima defesa. Ele foi expulso da Brigada Militar e ficou preso por quase dois anos. Foi solto em fevereiro de 2013, onde seguiu em liberdade até o primeiro julgamento em abril desse ano.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, amigos de Tairone reuniam-se em local próximo à casa do réu em Osório, o que descontentava o então policial. Por volta das 12h de 11 de março de 2011, o pugilista passava em frente à residência quando Abe o chamou. Tairone não respondeu. O acusado saiu atrás dele, sacou uma arma e disparou três vezes, acertando dois tiros, um no quadril e outro no ombro, à queima-roupa. Na época Abe afirmou que era provocado pelo boxeador, depois que advertiu o grupo de amigos e por isso teria atirado.

A VÍTIMA
Tairone Silva, com apenas 17 anos, já era bicampeão gaúcho, campeão brasileiro e sul-americano de boxe na categoria até 75 quilos. Mesmo ainda jovem ele era considerado um dos principais nomes do futuro do boxe brasileiro e era tido como esperança de medalha para o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Na época de sua morte o osoriense estava de passagem comprada para o Rio de Janeiro (RJ). Ele treinaria com a equipe da Marinha para os Jogos Mundiais Militares daquele ano.


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