As dunas servem como moradia para dezenas de espécies de animais e também funcionam como proteção para as cidades, mas elas estão cada vez mais ameaçadas no Rio Grande do Sul pela invasão de veículos e também pela extração ilegal de areia.

As marcas de pneus em Imbé, no Litoral Norte do estado deixam pistas de que as praias acabam se tornando pistas de rally. “Tem partes que eram virgens. Hoje tu transita no meio delas e encontra centros, buracos, onde eles (os motoristas) descem e fazem esses, tipo rally, não sei se pode chamar assim”, afirma a coordenadora de Educação, Sirlei Timm Maus.

O que parece ser apenas diversão é uma ameaça para os moradores desses imensos morros de areia. Isso porque dezenas de pequenos animais e plantas habitam a faixa de dunas que separa o mar do resto da cidade. Vidas estas frágeis, e que precisam ser preservadas.

Um dos exemplos são os tuco-tucos, pequenos roedores ameaçados de extinção que habitam esses ecossistemas. Ele faz uma galeria e em alguns locais, ele limpa a toca jogando areia para cima.

As dunas são áreas de proteção permanente, protegidas por lei. Na cidade de Imbé, fiscais trabalham para implantar um plano de manejo, que são as regras de convivência entre o homem e a natureza.

“É um sistema que deve ser preservado porque garante a proteção dos ecossistemas mais adiante. Ele garante a proteção nesses eventos de enxurrada. Recentemente nós tivemos um evento de enchente, que se a duna não estivesse aqui, nós teríamos muitos problemas nas casas das pessoas que desrespeitam a natureza”, afirma o biólogo e Secretário do Meio Ambiente, Pedro Terra Leite.

Outro problema que ameaça as dunas é o furto de areia da praia, que é usada para fazer aterros. De acordo com a Brigada Militar, esse é um crime muito comum no Litoral Norte do estado.

“O problema é que a gente está mudando a dinâmica das dunas, principalmente do cordão primário de dunas que nós temos no Litoral do Rio Grande do Sul. Esse cordão é a melhor e a maior proteção da cidade no que diz respeito a manter as áreas já edificadas a salvo do mar”, afirma o major do Batalhão Ambiental da Brigada Militar Rodrigo Gonçalves dos Santos.

Em alguns locais a prefeitura de Imbé instalou placas e colocou pedras para evitar a entradas de carros e carroças, na tentativa de preservar o habitat de espécies como a coruja buraqueira. Uma família dessa espécie que vive nas dunas ganhou até uma proteção. Elas vivem vigilantes, e ao menor sinal de visita indesejada, voltam para o buraco.

Buraco provocado pela extração ilegal de areia das praias de Imbé (Foto: RBS TV/Reprodução)