Famosa frase de Hamlet, peça escrita por Shakspeare escrita há 400 anos é o dilema pelo qual o PDT está passando diante da desistência irrevogável do ex-secretário da Saúde e vereador Emerson Magni. Preparado para ser mais um sucessor nos vários governos pedetistas em Osório o partido se vê agora sem alternativa palpável a não ser recorrer aos “cardeais” da sigla na cidade.

Por anos, o partido tem evidenciado que a renovação dos quadros políticos está limitada à escolha e agrado de Ciro Simoni e Romildo Bolzan Jr. Assim foi com Eduardo Abrahão quando veio de Viamão para assumir a secretaria da Saúde e ser identificado como o candidato potencial do partido. E assim se estabeleceu e conquistou dois mandatos. Desde o começo da gestão de Abrahão já se supunha que Emerson seria o próximo candidato do partido para prefeito. O apoio e incentivo da administração foi o mesmo dedicado quando Abrahão foi secretário de Saúde no governo Romildo.

A comunidade foi tomada de surpresa com a decisão anunciada na sexta-feira à tardinha pelo vereador onde se desculpou e revelou os motivos que o levavam a esta decisão.

Agora o partido tenta construir uma nova candidatura ou vir a ser vice em chapa encabeçada por outro partido que integra a atual coligação. A tranquilidade que a administração vinha tendo com relação às eleições municipais tornou uma preocupação e uma indecisão sobre qual procedimento tomar com a proximidade do pleito e das convenções partidárias. Construir uma candidatura leva tempo e levar ao eleitorado demandará muito trabalho e o prestígio de dois ex-prefeitos.

A retirada do forte candidato eleva as chances do pré-candidato Roger (MDB) e Martim Tressoldi (PSDB) como também favorecer o pré-candidato Hélio Bogado. O PDT vive o dilema de Shakspeare que terá de se definir em ter ou não candidato próprio, e também em Ciro vir ou não concorrer deixando outras aspirações políticas para mais tarde.

Há poucos meses de iniciar a corrida eleitoral, em meio aos efeitos da pandemia certamente muitos desdobramentos e fatos novos poderão vir a surgirem para que o partido da atual gestão consiga um nome e consenso e força para dar seguimento aos 16 anos em que o partido governa o município.

É a hora de ver a capacidade de articulação para uma coligação com nomes com bagagem política na cidade ou de recorrer aos valores políticos do passado.