A esposa de um policial foi flagrada utilizando um carro da delegacia de Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A Justiça determina que, em alguns casos, bens apreendidos pela polícia, como veículos, fiquem à disposição dos policiais. Mas os carros devem ser utilizados em operações e para melhorar o atendimento à população e a segurança pública.

A caminhonete que a mulher aparece usando nas imagens (veja o vídeo acima) foi apreendida pela polícia em janeiro de 2015, depois do tiroteio que resultou na morte do traficante Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, em Tramandaí.

Seis meses após a apreensão, integrantes da quadrilha foram presos ao tentar retirar a caminhonete de um depósito do Detran, usando documentos falsos. No ano seguinte, o juiz Emerson Silveira Mota que cuida do processo, decretou a perda dos bens da quadrilha e cedeu o veículo para a delegacia de Tramandaí, para ser usado em operações policiais.

Sabendo que quem circula com a caminhonete é a mulher de um policial, e para uso pessoal, o juiz vai pedir a abertura de uma investigação.

“A autorização judicial dada em sentença foi para uso desse veículo como se viaturas fossem, para uso em prol da segurança pública. Se houve desvio de finalidade para atender interesses pessoais, de terceiros, isso deve ser apurado pelas autoridades competentes. Tomando conhecimento agora do que aconteceu, eu vou encaminhar essa comunicação para a Corregedoria da Polícia, para o Ministério Público e para a autoridade policial para as providências cabíveis”, afirma o juiz.

A denúncia sobre o uso da viatura pela esposa do policial foi feita à reportagem da RBS TV por e-mail e fotos. Quem denunciou disse que a mulher também utiliza para ir ao trabalho outro carro apreendido de traficantes. O veículo foi visto estacionado no pátio da prefeitura, onde Marinês Rizzon Gobbi trabalha como Cargo de Confiança (CC).

A reportagem foi até o local, falar com ela.

Repórter – Dona Marinês, tudo bem?
Marinês – Oi, tudo bem!
Repórter – A senhora costuma usar uma caminhonete prata para vir trabalhar?
Marinês – Não.
Repórter – Uma caminhonete Captiva.
Marinês – Não.
Repórter – Nós temos uma foto da senhora usando essa caminhonete, saindo da prefeitura e chegando em casa. E essa caminhonete foi cedida pela Justiça à delegacia de Tramandaí.
Marinês – Bom, o senhor vai lá e pergunta para a delegacia de Tramandaí, então.

O delegado de Tramandaí, Paulo Perez, ficou revoltado e afirmou estar “abalado com a falta de lealdade das pessoas”.

“(…) Já comuniquei o delegado regional, já estou instaurando uma sindicância e talvez até um inquérito policial”, relata Perez.

Quanto ao policial, o delegado informou que vai ouvi-lo e “momentaneamente afastá-lo das suas funções, e viaturas que estiverem a cargo dele serão recolhidas”.

O escrivão da Polícia Civil Johni Fagundes, marido da mulher que aparece nas imagens utilizando o carro da delegacia, afirmou que o ocorrido foi uma eventualidade.

“De fato, as viaturas são disponibilizadas para uso da Delegacia de Polícia de Tramandaí e se por ventura a minha esposa utilizou essa viatura foi numa eventualidade, não é de uso comum, nem tampouco de uso comum familiar essa viatura”, relata.

Ele acrescentou que o carro fica em casa e que ele não autorizaria se soubesse. “Essa viatura fica na minha residência, com a chave, como qualquer carro ficaria e foi usada por uma circunstância eventual”, explica.

Foto: Reprodução/RBS TV
Fonte: G1