A estiagem tem causado problemas a diversas cidades do Estado. Dos 497 municípios gaúchos, mais de 300 já decretaram situação de emergência ou calamidade pública devido à falta de chuva, como é o caso de Santo Antônio da Patrulha, por exemplo. A cidade do Litoral Norte declarou situação de emergência no último dia 13 de março, por meio do Decreto no54, assinado pelo prefeito da cidade Daiçon Maciel da Silva e publicado no Diário dos Municípios quatro dias depois (17/03).

Desde então o cenário só tem piorado e a seca, além de causar prejuízo para o cenário agropecuário do Rio Grande do Sul, também vem causando incêndios em diversas regiões do Estado. O Litoral Norte é uma das regiões que mais sofre com esse problema, tanto que nos últimos dias diversas cidades foram atingidas por incêndios em sua vegetação, como foi o caso de Imbé, Santo Antônio da Patrulha, Torres e Tramandaí.

Na madrugada de terça (21) para quarta-feira (22), uma área de banhado localizada na RS-786 próxima ao bairro Mariluz, em Imbé, acabou pegando fogo. As chamas acabaram se espalhando devido à região estar muito seco, o que acabou provocando uma enorme fumaça que atingiu diversos moradores dos municípios de Imbé e Tramandaí.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar (CBM), o incêndio teria ocorrido em um local de difícil acesso, dificultando ainda mais o trabalho dos agentes. Conforme o comandante do Pelotão de Tramandaí, o tenente Elísio Lucrécio, o número de ocorrências tem aumentado na região principalmente pelo “tempo seco a baixa umidade do ar”. Os Bombeiros seguem monitorando a área e não é descartada a possibilidade de novos focos atingirem essa e outras regiões das duas cidades.

Em Torres a situação é ainda pior. O Pelotão do CBM da cidade trabalha desde o último sábado para combater os incêndios em uma área de vegetação. A maioria das ocorrências ocorre na região da Vila São João. Conforme o tenente Fabricio Freitas de Oliveira, comandante da CBM do município informou, o número de ocorrências de fogo na cidade aumentou “entre cinco e seis vezes mais” nessa época do ano. Até o momento o fogo já consumiu uma área de mais de oito hectares.

Na cidade, além do uso do caminhão dos bombeiros, um caminhão pipa está sendo utilizado para ajudar a apagar o fogo. Segundo o tenente Fabricio, já foi solicitado um novo veículo a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) devido a grande demanda de combate a incêndios na região.

Na semana passada um incêndio atingiu a Área de Proteção Ambiental do Banhado Grande (APABG), em Santo Antônio da Patrulha. O fogo iniciou no município de Glorinha e com a vegetação seca em função da estiagem, além dos fortes ventos se alastrou rapidamente chegando à localidade de Tapumes e Chicolomã em Santo Antônio. Devido ao vento, a fumaça causada pelas chamas se espalhou e acabou atingindo algumas cidades, como foi o caso de Osório que na tarde da última quarta-feira foi coberta por uma névoa branca. Um helicóptero da Polícia Civil (PC) precisou ser utilizado no combate às chamas. O incêndio segue sendo monitorado em um trabalho conjunto realizado pelos Bombeiros, Patrulha Ambiental (Patram), PC, Exército, além de voluntários e moradores locais.

A área da APABG ocupa aproximadamente 137 mil hectares nos municípios de Glorinha, Gravataí, Viamão e Santo Antônio da Patrulha. Até o momento a expectativa é que o fogo já tenha destruído de 35 a 40 hectares da vegetação.

Os Bombeiros alertam para que nesse período de seca a população evite as queimadas, mesmo que seja para a limpeza do campo, visto que em épocas assim, qualquer princípio de fogo pode causar um enorme estrago, sem contar no dado para a natureza e o meio ambiente. Em caso de flagrante de queimadas faça a denuncia para a Brigada Militar (190) e para o Corpo de Bombeiros (193).

Foto: CBM