Entre os dias 23 e 27 de junho, foi realizada, de maneira online, a 2ª edição da Feira Brasileira de Jovens Cientistas (FBJC). O evento, organizado por jovens brasileiros com experiência em pesquisa, tem como objetivo democratizar o acesso às oportunidades científicas. Nesse ano participaram 242 instituições de ensino, de 23 estados e do Distrito Federal. Representando a cidade, os estudantes do Campus do Instituto Federal do RS (IFRS) levaram cinco projetos para o evento, sendo quatro deles premiados.

O projeto ‘Implicações ambientais por microplásticos: Analisando métodos de remoção e identificação’, conquistou o Prêmio de Sustentabilidade. De autoria dos alunos Igor da Rosa de Oliveira e Vanessa Teixeira da Rosa, do 4º ano do Técnico em Administração, o trabalho teve orientação do professor Claudius Jardel Soares e coorientação da professora Flávia Twardowski.

O projeto ‘Avaliação da inibição do crescimento fúngico in vitro de mycosphaerella musicola através de extratos aquosos de allium sativum’, da estudante Amanda de Lorenzi Borges, do 2° ano do Técnico em Administração, recebeu o Prêmio Meninas nas Ciências. A pesquisa foi orientada pela docente Flávia Twardowski.

Já o trabalho ‘Síntese biotecnológica de polímero a partir de resíduos do processamento da uva’, ficou com o 3º lugar em Ciências Biológicas. O projeto realizado pela discente do 2º ano do Técnico em Administração, Amanda Ribeiro Machado, e que teve orientação da professora Flávia, também conquistou o Prêmio de Honra em Educação e Ciências, da Embaixada dos Estados Unidos.

OS PROJETOS PREMIADOS

‘Implicações ambientais por microplásticos: Analisando métodos de remoção e identificação’ – Cientes de que a presença de microplásticos (plásticos menores que cinco milímetros) nos oceanos traz impactos graves aos animais marinhos e à saúde humana, através da ingestão de água e de animais contaminados por essas partículas, buscou-se pesquisar mais sobre os impactos e a existência do material nas praias do Litoral Norte gaúcho.

Como resultados parciais, mediante de revisão bibliográfica, foi possível identificar a incidência de macroplásticos e microplásticos nas praias de Capão da Canoa e Cidreira. Nos próximos passos do projeto, há o intuito de analisar águas superficiais das cidades citadas e também de Osório para, posteriormente, produzir um material a partir dos resíduos da laranja que remova ou reduza microplásticos em solução aquosa.

‘Avaliação da inibição do crescimento fúngico in vitro de mycosphaerella musicola através de extratos aquosos de allium sativum’ – O trabalho tem como objetivo buscar alternativas naturais a partir de culturas presentes no estado para promover o controle da doença foliar sigatoka-amarela, que atuam necrosando as folhas da bananeira.

A bananicultura é um dos principais agronegócios mundiais e fungo Mycosphaerella musicola, a principal praga do cultivo no Brasil. Quando não controlada, pode induzir a perdas totais. Ensaios experimentais utilizando extrato aquoso de alho (Allium sativum) em concentração igual ou superior a 5% mostrou ser eficaz na inibição in vitro do agente fitopatógeno da sigatoka-amarela, surgindo como uma solução alternativa, inovadora, sustentável e economicamente viável em relação aos meios de controle químico convencionalmente adotados.

‘Síntese biotecnológica de polímero a partir de resíduos do processamento da uva’ – A pesquisa busca uma alternativa para a poluição causada pelos polímeros sintéticos através da produção biotecnológica de um polímero biodegradável, utilizando o resíduo agroindustriais oriundos da produção de suco de uva.

Se as quantidades de produção, consumo e descarte desse material não mudarem, estima-se que até o ano de 2050 existam mais plásticos que animais presentes no ambiente marinho. Somente no Brasil são produzidos cerca de 110 milhões de toneladas de plástico todos os anos, sendo o 4º país que mais produz lixo plástico em escala mundial. O polímero desenvolvido no estudo apresentou características de maleabilidade e flexibilidade.

RECORDISTA DE PRÊMIOS

Um dos mais premiados da FBJC, o projeto ‘Fidere: Aplicativo de economia circular voltado as associações e brechós do Litoral Norte gaúcho’, acabou conquistando quatro prêmios. O trabalho da estudante Victórya Leal Altmayer Silva ficou com o 1º lugar em Ciências Sociais Aplicadas. Além disso, também recebeu o Prêmio de Excelência em Pesquisa; o Destaque Geral em Apresentação; e o Prêmio Protagonistas do Progresso Científico, o qual credenciou Victórya para participar da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec) – maior feira de ciências da América Latina, a qual ocorre nesse ano entre os dias 26 e 28 de outubro.

O estudo buscou uma solução para alavancar a economia circular de brechós e associações da região. Para isso, realizou o mapeamento de 35 brechós e 14 associações femininas nas cidades de Capão da Canoa, Osório e Tramandaí. O primeiro resultado foi a criação de um aplicativo de celular inovador no mercado internacional tecnológico, com o modelo de testes disponível no Google Play, e que funcionará como uma loja virtual. A pesquisa tem orientação da professora Flávia Twardowski e coorientação do docente Cláudius Jardel Soares.

OUTRO PROJETO PARTICIPANTE

A única pesquisa que não conquistou nenhum prêmio no evento foi o trabalho da aluna Sarah Lima Jaeger, do 4º ano do Técnico em Informática. Com orientação do técnico em assuntos educacionais do Campus do IFRS, Marcelo Vianna, a estudante apresentou o projeto ‘Apostando no futuro: O estudo da linguagem Basic através das revistas especializadas em microcomputadores (1981-1986)’.

O trabalho de Sarah consiste em entender o papel dos micros nos anos 1980, como os usuários da época adquiriram conhecimentos sobre microcomputação, por meio da linguagem BASIC, além da preferência da sociedade sobre assuntos relacionados com educação e tecnologia através da recorrência de assuntos publicados e retorno dos leitores.

Fotos: Divulgação

Vanessa Teixeira
Amanda Lorenzi
Amanda Ribeiro
Victórya Leal Altmayer Silva
Sarah Lima Jaeger