A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (19) no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina a Operação Magna Ópera. A ação tem como objetivo desarticular um esquema de lavagem de dinheiro praticado por uma facção que tem base no Vale dos Sinos. São dezenas de investigados, mas os alvos da ofensiva são três homens apontados como antigas lideranças do grupo (desde os anos 1990), agora comandando duas células criminosas no Litoral Norte gaúcho.

Cerca de 200 policiais civis, com apoio do Ministério Público (MP), cumprem 341 ordens judiciais, sendo 60 de busca e apreensão de mais de 50 imóveis e veículos avaliados em R$ 16,1 milhões. As ordens judiciais envolvem também 138 quebras de sigilo bancário e fiscal e bloqueio de 41 contas bancárias de 41 suspeitos.

Em dois anos de investigação da Polícia Civil, foram identificadas cerca de 50 pessoas, a maioria laranjas, que emprestaram os nomes para abertura de contas, para comprar os 29 imóveis e 23 veículos identificados (boa parte de luxo), bem como para a aquisição de empresas de fachada. Tudo faz parte do esquema para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas.

A Operação Magna Ópera foi deflagrada em oito cidades: São Leopoldo, Novo Hamburgo e Estância Velha, onde a organização criminosa tem base, além de Capão da Canoa, Guaíba e Viamão. Também houve o cumprimento de mandados em Itapema e Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

INVESTIGAÇÃO

São dois anos de investigação dos delegados Adriano Nonnenmacher, das Delegacias de Repressão aos Crimes de Lavagem de Dinheiro do Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc), e Filipe Bringhenti, do Gabinete de Inteligência e Estatística (GIE).

Nonnenmacher diz que esta ação já teve um desdobramento em junho do ano passado, quando outra operação do Denarc apreendeu bens de outros dois líderes do grupo, que juntos, somavam 126 anos de condenação na época. Na ocasião, foram apreendidos cinco imóveis e 10 veículos avaliados em R$ 5 milhões.

Desta vez, os focos são outros três alvos da facção que seria responsável, em média, pela entrada de 10 toneladas de cocaína por ano no Rio Grande do Sul. Eles não têm mandado de prisão, mas vários bens — quase todos em nome de laranjas — estão sendo confiscados, incluindo mais de 20 empresas de fachada para lavar dinheiro são investigadas.

Segundo a investigação, durante três décadas, a organização opera rotas internacionais de tráfico de drogas, armas, dinheiro, via Paraguai, Argentina e Uruguai, sendo que nos anos 1990 com conexão ao Cartel de Cali (Colômbia), e nos seguintes por intermédio de um narcotraficante brasileiro, naturalizado paraguaio.