A falta de vagas em presídios e na carceragem das delegacias de Porto Alegre faz com que 10 policiais militares custodiem presos em viaturas em frente ao Palácio da Polícia, em Porto Alegre, na manhã desta quarta-feira (26). O quadro é o pior desde o dia 20, quando quatro policiais estavam fora de patrulhamento pelo mesmo problema.

Cinco viaturas e duas motocicletas da Brigada Militar estão paradas na Avenida Ipiranga. Os veículos estariam em patrulhamento não fosse a superlotação.

Os PMs se revezam em turnos de 12 horas na custódia dos presos. Um dos presos, que estava foragido por roubo, está no banco traseiro de um Fiesta da corporação desde as 13h de terça-feira. Na manhã de hoje, já era a terceira dupla de PMs monitorando o criminoso.

Um dos policiais chegou a dividir o lanche do café da manhã com um dos presos. “A gente compra água pra gente, com dinheiro do nosso bolso, e dá um pouco pra eles. Ele é vagabundo, mas também é um ser humano”, disse o PM, ouvido por Zero Hora.

Ao todo, são 17 presos na carceragem do Palácio da Polícia, oito na 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento e outros dois em hospitais.

A situação atrapalha também o trabalho de investigação preliminar, em locais de crime. Os policiais das equipes volantes são deslocados para cuidar dos presos.

Contatada pela reportagem, a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) disse que um dos problemas é que 6 mil pessoas foram presas em dois anos. A assessoria de imprensa afirmou que os detidos serão transferidos das viaturas assim que houver vaga. Além disso, afirma garantir alimentação e água para os presos.

GAÚCHA