O movimento comum na época de veraneio, a invasão de argentinos nas estradas gaúchas rumo às praias de Santa Catarina ou até mesmo ao Litoral Norte gaúcho não está acontecendo na temporada de 2021. Reflexo do fechamento de fronteiras desde março de 2020 devido à pandemia, o sumiço dos hermanos é sentido no bolso de empresários das cidades litorâneas, que projetam perdas entre 15% a 50% nas contas, dependendo da área de atuação e do município onde o estabelecimento está localizado.

Só em Torres, o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Litoral (SHRBS) estima que mais de R$ 100 milhões vão deixar de girar. Turismóloga e dona de dois hotéis em Torres, a presidente do sindicato, Ivone Ferraz, afirma que em uma das suas unidades, que fica na área central, os argentinos representavam 50% da ocupação na temporada. Ela enumera que Torres tem 70 hotéis e os proprietários calculam que, em média, 50 argentinos ficavam por dia em cada um, gastando, também em média, R$ 350 reais em hotel e alimentação por dia. “Tramandaí, Xangri-lá, Arroio do Sal, Capão da Canoa e principalmente Torres sentem. É um dinheiro bastante considerável que perdemos”, lamenta Ivone.

O prefeito de Torres, Carlos Souza, teme que o reflexo do sumiço argentino seja sentido nas contas do município, já que havia “um incremento forte” na rede hoteleira e de bares por parte dos vizinhos. “Uma vez isso não acontecendo (ausência), vai refletir na arrecadação de impostos, no pagamento de tributos, como o IPTU, porque muitas vezes o comerciante ou quem aluga sua casa termina por não ter essa renda adicional. Já sentimos isso no turismo, especialmente durante os dias de semana”, declarou Souza.

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