A pandemia impactou fortemente o cenário econômico, alterando diversas das projeções para 2020. Menor atividade econômica ocasionada pela quarentena, desemprego, queda do PIB, desvalorização do câmbio e aumento dos gastos públicos marcaram este ano. O setor de comércio e serviços foi um dos mais impactados pela pandemia, embora tenha apresentado uma retomada a partir do terceiro trimestre. Especificamente os “serviços” são os que mais sofreram e recuperam-se mais lentamente em relação aos demais. É o que apontou a análise apresentada pela Fecomércio-RS em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (2). 

Além disso, observa-se uma recuperação heterogênea entre regiões, segmentos e entre empresas já que fatores como rigidez da quarentena, o tipo de negócio (classificado pelo poder público como “essencial” ou “não-essencial”), bem como a capacidade de levar o negócio para a internet impactam no desempenho de cada empresa. Durante a coletiva, também foram apresentadas as projeções para o próximo ano. 

Pandemia determinou rumos da economia em 2020

No âmbito nacional, vimos o PIB despencar em abril. Houve recuperação da atividade econômica no terceiro trimestre seguida, no quarto trimestre, por uma queda no ritmo de recuperação. Essa retomada de atividade, todavia, é altamente heterogênea entre regiões, setores e entre empresas, segundo dados apresentados pelo economista Marcelo Portugal. O mercado de trabalho, por sua vez, continua com sérias dificuldades, que só deverão ficar totalmente evidentes em 2021. A retomada da economia em meados de 2020 decorreu principalmente do chamado “orçamento de guerra” do Governo Federal que injetou dinheiro na economia por meio de ações como o auxílio emergencial, Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), auxílio por redução salarial e recursos para estados e municípios. Embora necessárias para atenuar os efeitos da crise, tais medidas seriam insustentáveis em 2021.

Necessidade de equilíbrio em 2021

A expectativa é que o Governo termine o ano com R$ 845 bilhões de déficit primário, o que representa 11,7% do PIB. Como a isso se soma a necessidade de pagamento de juros, observou-se, em 2020, um aumento expressivo da dívida pública. Por isso, o presidente da Federação, Luiz Carlos Bohn, alertou para a necessidade urgente da retomada do equilíbrio fiscal em 2021. “Os desafios para o próximo ano são diversos. Esperamos que os governos estadual e federal façam a sua parte controlando o crescimento da dívida pública, com a retomada do teto de gastos visando o equilíbrio fiscal. Quanto à Fecomércio-RS, seguiremos ao lado dos empresários a fim de mitigar os impactos da crise, dialogando com os parlamentares e apoiando medidas como a reforma administrativa e tributária, tão necessárias para a recuperação do País”, destaca.  

Muito do cenário econômico será ditado em 2021, como ocorreu em 2020, pela Covid-19 (novas ondas da pandemia e vacinação), e pelas medidas de quarentena adotadas pelos governos. No entanto, a análise da Fecomércio-RS aponta para a necessidade de o país voltar à normalidade fiscal. Ou seja, determinar e respeitar o teto de gastos, estipular e cumprir meta de superávit primário e fazer com que a política econômica volte à normalidade. Caso contrário, teremos aumento da inflação, câmbio alto e desemprego ainda bastante elevado.

A entidade prevê, ainda, que o crescimento do PIB nacional em 2021 seja de 3,2%, enquanto para o PIB do RS a expectativa é de crescimento de 2,5% no próximo ano. Para o comércio, a projeção é de 2,5% e dos serviços de 3,5%. A inflação medida pelo IPCA deve ser de 4,0%, e os juros devem chegar a 3,75%. Também se estima que o câmbio chegue a 5,0 R$/US$ ao final de 2021.

Foto: Divulçação