A Emater/RS-Ascar aguarda a liberação de verba de R$ 300 mil, de convênio do Ministério da Agricultura, para investimento na Feira Virtual da Agricultura Familiar (Fevaf) em 2021. A plataforma, criada em março deste ano para aproximar produtores e consumidores durante a pandemia da Covid-19, deve receber melhorias e se consolidar como uma ferramenta permanente para facilitar a comercialização de produtos in natura e processados da agricultura familiar gaúcha.

Na página: www.emater.tche.br/site/fevaf, o consumidor pode pesquisar a oferta existente em cada município tanto pela relação dos produtos quanto pela dos participantes e ter acesso ao telefone de quem escolher. A negociação, no entanto, não é feita na própria plataforma, mas pelo meio que as partes escolherem, como e-mail, telefone ou Whatsapp, depois do contato inicial. Luana Machado, gerente técnica adjunta da Fevaf, diz que a qualificação do mecanismo virtual ainda está sendo estudada pela área técnica da Emater, mas antecipa algumas das mudanças que poderão ser acrescentadas à plataforma. “É bom lembrar que a Fevaf não é um e-commerce, ou seja, não foi concebida para computar vendas”, ressalva. “Mas vamos acrescentar possibilidades como imagens dos produtos que cada agricultor oferece e um sistema de rota para que o consumidor saiba onde encontrar o que procura”, complementa Luana.

A gerente afirma ainda que, desde sua criação, a plataforma vem aumentando o número de produtores inscritos e conta hoje com 917. Ao mesmo tempo, registra acessos consistentes, que totalizaram 90 mil entre março e dezembro. Para mapear as necessidades de alteração, a Emater fez uma pesquisa entre os produtores inscritos. “Claro que a ferramenta apresentou limitações, mas há como torná-la mais ágil”, acrescenta Luana.

Os participantes atuais estão em todas as regiões do Estado, distribuídos em 265 dos 497 municípios gaúchos. Santa Maria, no Centro do Estado, conta com o maior número de empreendimentos cadastrados (26). Já no Litoral Norte, Santo Antônio da Patrulha é a cidade com mais empreendedores participantes, 16. Na região, os 273 associados (de 160 famílias) à Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Itati, Terra de Areia e Três Forquilhas (Coomafitt) passaram por períodos de muita preocupação quando as vendas ficaram escassas, no início da pandemia, em março, e agora esperam ver a instituição contabilizar ingressos próximos aos R$ 4,5 milhões de 2019. A internet foi decisiva para manter a renda dos produtores e por fazê-los sonhar com mais mercados quando a pandemia passar.

O coordenador de comunicação da Coomafitt, Allan Fernandes, conta que a pandemia impôs diversas mudanças à organização. Antes, a receita da cooperativa resultava, sobretudo, das aquisições públicas para abastecimento de escolas, quartéis e entidades de assistência social. Como muitos desses compradores suspenderam atividades, os cooperados passaram à tele-entrega e contaram, para isso, com a divulgação da Fevaf e o canal de vendas existente na página Armazém AgriFam na internet.

Até março, a partir dos pedidos, a cooperativa encomendava os produtos aos associados para empacotá-los em sua central de distribuição. Hoje, na maioria das operações, é o cooperado que acondiciona as frutas, hortaliças e itens minimamente processados que encaminhará ao consumidor. “Recebemos os pedidos ate às 12h de terça-feira e entregamos na quinta-feira”, destaca Fernandes, lembrando que os produtos da Coomafitt são enviados a dez municípios do Litoral Norte, incluindo Osório, além de Porto Alegre (neste caso por convênio com a cooperativa de consumo GiraSol).

Passado o momento de montagem daquilo que Fernandes chama de “estratégia rápida” de migração para a internet, a Coomafitt até ampliou seu mix de produtos, incluindo, por exemplo, mamões e brócolis orgânicos. As compras públicas começaram a voltar e a perspectiva é que tenha mais mercados, incluindo o do consumidor individual, quando a pandemia se tornar passado.

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