HOSPITAL: DEFICIT PODE ENCERRAR ATIVIDADES

A crise que nunca arrefeceu sobre a instituição hospitalar agora pode vir a ocasionar o fechamento em poucos meses dos serviços. A diretoria vem buscando incansavelmente por fonte de recursos de modo a custear as despesas mensais, bem como manter parcelamentos de dívidas junto ao fisco e empréstimos. Segundo as informações do Hospital este ano há um fechamento negativo mensal de cerca de pouco mais de 1,3 milhões de reais.

O encerramento das atividades é visto como líquido e certo, caso não haja uma parcela de contribuição por parte das prefeituras atendidas pelos serviços de obstetrícia, de urgência/emergência, cirurgias traumatológicas e também de custeio para manutenção dos leitos de UTI. Atualmente municípios como Santo Antonio, Caraá, Mostardas, Tavares, Palmares do Sul e Capivari, além do município de Osório tem no Hospital São Vicente como referência de atendimento hospitalar, sem que nenhuma destas prefeituras destinem qualquer valor para que sejam atendidos seus munícipes. O valor irrisório da tabela SUS e os repasses insuficientes pelo Sistema Estadual de Saúde dificultam a manutenção dos serviços que tem um custo mais elevado do que são por estes remunerados. Durante a pandemia os hospitais tiveram uma ligeira melhora em suas contas em decorrência dos valores pagos pelo Governo Federal por leito de UTI. Estes mesmos leitos agora são remunerados por menos da metade e somente pelos leitos efetivamente ocupados.

A diretoria vinha alertando a prefeitura de Osório sobre a necessidade de um repasse mensal para custeio, mas com a inauguração da UPA a administração anterior cessou os repasses e aquisição de serviços, mesmo compreendendo a importância e a resolutividade do Hospital se manter funcionando. Esta mesma preocupação já havia sido levada também a reuniões da Amlinorte, que congrega os 23 municípios do Litoral e mesmo tendo o Consórcio Intermunicipal de Saúde nenhuma posição foi tomada para ouvir os hospitais da região e seus problemas financeiros.

Santo Antonio atualmente está enfrentando problemas com o Hospital que era terceirizado para Fundação São Carlos que é a mantenedora dos Hospital Mãe de Deus, não mais permaneceu por motivos óbvios de inviabilidade financeira. Assim os partos das patrulhenses tem sido todos feitos pelo Hospital de Osório, assim outros municípios da região. O possível fechamento do Hospital de Osório criaria um caos no atendimento obstétrico na região que teriam de ser atendidos por Tramandaí ou Capão da Canoa que estão com suas capacidades limitadas.

A urgência por uma posição dos poderes públicos municipais e também por parte da Secretaria Estadual de Saúde se deve a gravidade da situação e que para encerramento das atividades o Hospital tem de comunicar ao estado o pedido de cancelamento do contrato de prestação de serviços com prazo de 60 dias, conforme determina o termo contratual de serviços em vigor.

Mais uma vez a cidade pode se ver privada dos serviços hospitalares devido às crescentes despesas inflacionárias que consomem as receitas que não sofrem qualquer majoração e nem aportes dos municípios que tem atendida sua população de forma gratuita, salvando vidas e garantindo o bem estar dos seus cidadãos. O provável fechamento irá gerar um caos no atendimento hospitalar e o consequente aumento de despesas pelas prefeituras para deslocamento de seus pacientes para outros municípios fora da região, isto quando conseguirem atendimento e leitos para internação.

É imperativo que os municípios do Litoral Norte compreendam a importância de instituições de saúde para atendimento da população fixa e de seus visitantes, onde milhões são gastos com postos de Saúde ineficientes e sem atendimento adequado. É um descaso com o sofrimento daqueles que precisam de atendimento hospitalar próximo de suas comunidades, com qualidade e respeito ao cidadão.


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