Nesta terça-feira (28/04) o incêndio que atingia a Área de Proteção Ambiental (APA) do Banhado Grande há aproximadamente um mês, finalmente foi controlado. O Banhado que abrange os municípios de Glorinha, Gravataí, Santo Antônio da Patrulha e Viamão, ocupa aproximadamente 137 mil hectares, sendo 4,5 mil de APA. Essa região contém parte dos Biomas Pampa e Mata Atlântida, além de ocupar 2/3 (dois terços) da Bacia Hidrográfica do Gravataí; possuindo uma vasta biodiversidade.

Desde o dia cinco de abril (quando começou os primeiros focos do incêndio) agentes do Corpo de Bombeiros, Brigada Militar (BM), Polícia Civil (PC) e Defesa Civil estiveram trabalhando em conjunto para combater o fogo no local. Devido o incêndio atingir uma área de difícil acesso, helicópteros da BM e da PC auxiliaram no combate as chamas, jogando bombas de água nos locais mais críticos. Enquanto isso os bombeiros seguiam com o trabalho terrestre, utilizando sopradores e abafadores para que as chamas não se espalhassem ainda mais.

Pela importância da APA para a manutenção dos ecossistemas, uma força-tarefa chegou a ser criada sob coordenação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), com o objetivo de unir forças a partir do apoio de diversas entidades nos trabalhos de combate ao fogo que se alastrava devagar e silenciosamente. Outras entidades, como Instituto Chico Mendes (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Exército e até mesmo o Ministério Público Estadual, também fizeram parte do comitê.

Mais de cem pessoas se envolveram direta ou indiretamente, estima a gestora da APA, Letícia Vianna. Segundo ela, o fogo está controlado, no entanto, cerca de 900 hectares foram queimados. “Agora sobrevoamos a área com drones e, quando diagnosticamos um local com possível risco, acionamos o helicóptero da Polícia Civil para despejar água. É a soma de competências e peculiaridades que tem apresentado sucesso efetivo neste combate”, destaca Letícia.

INCÊNDIO

O fogo subterrâneo, como o que ocorreu na APA Banhado Grande, é um fenômeno raro no país. Os focos se propagam nas camadas de húmus ou turfa, abaixo da superfície do solo, muitas vezes não apresentam chamas e são de difícil detecção. O fato de o banhado estar praticamente seco em função da estiagem foi um dos fatores para que o fogo se alastrasse, explica o diretor do Departamento de Biodiversidade da Sema, Diego Pereira. “Uma camada de palha é formada na subsuperfície do solo. Ela se chama turfeira e faz com que o incêndio permaneça, dificultando o combate. Neste momento, ter muitas entidades envolvidas e somar conhecimentos com cada equipe é fundamental para vencermos”, ressalta a gestora da APA.

VALE RESSALTAR

A equipe da Sema segue monitorando a situação do fogo e acompanhará a recuperação dos ecossistemas de banhados para que as condições da flora sejam restabelecidas. “Só estaremos realmente livres do fogo quando houver uma quantidade expressiva de chuva, mas, por enquanto, não há previsão. Então é o trabalho integrado que fará a diferença”, projeta Letícia.

Foto: SEMA