Os agentes do Corpo de Bombeiros seguem no combate ao incêndio que vem atingindo a Área de Proteção Ambiental (APA) do Banhado Grande. O Banhado ocupa aproximadamente 137 mil hectares, sendo 4,5 mil de APA, abrangendo os municípios de Glorinha, Gravataí, Santo Antônio da Patrulha e Viamão.

Os primeiros focos do fogo teriam iniciado no último dia cinco desse mês no município de Glorinha, porém, com a vegetação seca em função da estiagem, além dos fortes ventos que têm atingido a região, as chamas acabaram se alastrando e chegando até as localidades de Tapumes e Chicolomã, em Santo Antônio.

Após mais de 20 dias de trabalho os Bombeiros ainda não conseguiram controlar o incêndio. A dificuldade maior é devido a área onde ocorrem as chamas ser de difícil acesso, o que impede o acesso de veículos terrestres. Por causa disso, helicópteros da Brigada Militar (BM) e Polícia Civil estão sendo utilizados para jogar jatos de água nos locais mais altos. Além do trabalho aéreo, cerca de 20 bombeiros militares seguem fazendo o trabalho terrestre utilizando sopradores e abafadores.

“São focos de difícil acesso, pois se propagam em camadas abaixo do solo, na sua maioria em áreas com sedimentos, onde havia alagamento e portanto acabam não apresentando chamas”, relatou o Corpo de Bombeiros.

 A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) montou um Comitê de Prevenção e Combate a Incêndio na área com objetivo de unir esforços entre as demais secretarias, conseguindo assim combater o incêndio. Também fazem parte dessa força tarefa a Defesa Civil, o Exército, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler (Fepam) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

VALE RESSALTAR

No último dia 16 de abril a fumaça causada pelo incêndio chegou a encobrir a cidade de Osório com uma névoa branca. O vento também levou a fumaça até outros municípios do Litoral Norte. Até o momento as chamas já queimaram mais de 840 hectares da Área de Proteção Ambiental do Banhado Grande.

O Banhado abrange uma parte dos Biomas Pampa e Mata Atlântida, possuindo uma biodiversidade vasta, além de ocupar 2/3 (dois terços) da Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí. Segundo a bióloga Jordana Gomes, a situação atual é “crítica” e que os danos a fauna e a flora até agora são “imensuráveis”.

INCÊNDIOS NA REGIÃO

De 1o de março até hoje (29/04) já foram registradas mais de 340 ocorrências no Litoral Norte apenas em áreas de vegetação. Vale destacar que os dados são do 9o Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar (responsável por atender os 23 municípios da região) e contabilizam apenas incêndios ocorridos em campos, matas nativas ou banhados.

Só em março foram 182 ocorrências desse tipo, havendo um aumento de 189% em relação ao ano passado. Se analisarmos os meses de março e abril, esse aumento é ainda maior comparado com o mesmo período em 2020. Houve um aumento de aproximadamente 270% (mais de 250) no número de ocorrências.

As principais causas para isso são: a terra seca causada pela falta de chuva, acumulado pelo auxílio dos ventos que acabam espalhando as chamas; e também a mão humana, que acaba ocasionando os incêndios devido as queimadas de lixo ou simplesmente pelo descarte incorreto das bitucas de cigarro. Para se ter uma ideia, os dados apontados pelo CBM registram mais ocorrências por causas humanas do que causas naturais. Não é a toa que a Patrulha Ambiental (Patram) junto com a Polícia Civil segue investigando a causa dessa onda de incêndios, e não descarta a possibilidade do fogo que atingiu o Banhado Grande ter sido criminal.

Foto: CBM


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