seleo_brasileira_e_chileA falta de planejamento que derruba o futebol dos homens é de rigor japonês na seleção brasileira feminina. Por isso, Marta e companhia entram em campo nesta terça-feira, em Manaus, apenas para carimbar o primeiro lugar da chave contra a África do Sul. O jogo começa às 22h.

Maior artilheira do futebol olímpico, Cristiane ficará de fora da partida. O exame de ressonância magnética feito na coxa direita da atacante constatou “uma pequena lesão” no bíceps femural, segundonota da CBF, e a jogadora passará por novos exames que irão definir se ela pode se recuperar para prosseguir na competição.

As goleadas sobre a China e Suécia impulsionaram a popularidade da seleção feminina na Olimpíada. O jogo de estreia levou 27 mil pessoas ao Engenhão – público de causar inveja no Botafogo, o dono do endereço. Na segunda, quase público de Flamengo em boa fase – mais de 42 mil. Por isso, a seleção já tem, vaga garantida nas quartas de final.

O sucesso das mulheres está longe de ser casual. O projeto da seleção feminina começou em abril de 2014, quando Vadão trocou a Ponte Preta pelo convite da CBF. Um ano depois, Marco Aurélio Cunha, médico com passado vitorioso como dirigente no São Paulo, assumiu como coordenador técnico.

O projeto da seleção foi montado para driblar a falta de uma liga competitiva no país e também a carência de investimentos. Vadão e Cunha implementaram a criação de uma seleção permanente. Segundo Marco Aurélio, havia o talento, mas faltava uma base física para as gurias do futebol. A Granja Comary deixou de ser endereço apenas das seleções masculinas. A seleção permanente ainda usa CTs em Pinheiral, no interior do Rio, e Itu.

— Assim como no futebol masculino, no feminino temos muita qualidade física. Mas carecíamos de potência para o enfrentamento — diz o dirigente.

Deu certo. Tanto que depois do Mundial de 2015, no Canadá, muitas jogadoras foram atuar na França, nos EUA, na China e na Coreia do Sul. Das 18 convocadas, 13 atuam no Exterior. Se contar as suplentes, das 22 listadas, 19 passaram pela seleção permanente.

A prova da renovação da seleção está no número de estreantes. São 11, um time inteiro. Elas se juntam a veteranas como Formiga, 38 anos, presente em todas as Olimpíadas do futebol feminino (desde Atlanta 96), Marta e Cristiane. Entre as novatas, estão as gaúchas Mônica, zagueira de Gravaí, e Andressinha, a caçula com 21 anos.  Marco Aurélio aposta alto em Andressinha, a quem classifica como a “Iniesta do futebol feminino”.

Quanto à Mônica, sobram elogios. Líder do vestiário e cantora de voz afinada – já fez até show —, a zagueira também tem outra função no grupo: é ela quem faz as unhas das companheiras quando sobra um tempo livre.

— Mas hoje não deu tempo. Tanto que liberei a Bárbara para ir à manicure — diz o dirigente.

Nem só de treinos vive o futebol feminino. É preciso também um bom bocado de delicadeza.

ZERO HORA