brazil-damburst-environment_ricardo_moraes_reuters-6_1A lama da barragem da Samarco, cujos donos  são a Vale a anglo-australiana BHP Billiton, já adentrou mais de 10 quilômetros no mar do Espírito Santo, de acordo com o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema). Nesta segunda-feira (23), a prefeitura de Linhares , no Norte do Espírito Santo, orientou a população para que não entre em contato com a água.

A lama de rejeitos de minério que vazou da barragem da Samarco em Mariana (MG) chegou ao mar neste domingo (22), após passar pelo trecho do Rio Doce no distrito de Regência, em Linhares, segundo o Serviço Geológico do Brasil.

O biólogo Marcos Vago explicou que as substâncias contidas na lama que avança pelo mar podem ser transferidas de um peixe para outro, por meio da cadeia alimentar.

“O problema maior da lama no mar é que essa lama contém metais pesados, e esses metais serão distribuídos em cadeias alimentares e aí acontece a transferência dessa substância. Esses metais são acumulativos e podem chegar até o homem, que se alimenta de animais marinhos”, diz o biológo.

Ainda segundo Marcos, além do risco da contaminação, os metais presentes da lama podem prejudicar a respiração dos peixes. “A quantidade de minério é muito grande, ele acumula nas brânquias dos animais e pode impedir que eles façam a troca gasosa”, explicou.

“Muitos animais têm a região de Regência como berçário. A maioria das espécies vêm para poder se reproduzir na foz, onde há água salobra. Esses animais são os mais ameaçados”, disse.