A pandemia causada pelo novo coronavírus tem ocasionado problemas para o comércio. Uma das áreas afetadas são as salas de cinema, que em algumas cidades precisaram fechar por não poderem funcionar, devido a proibição de aglomeração de pessoas em um mesmo ambiente. Em meio a isso, um formato de cinema tem ressurgido no Brasil: o cinema drive-in.

CINEMA DRIVE-IN

Os cinemas drive-in são caracterizados por enormes espaços ao ar livre (normalmente estacionamentos) com uma grande tela, onde as pessoas podem assistir aos filmes em seus próprios veículos. A trilha sonora é normalmente transmitida por meio de uma frequência de rádio FM ou o estabelecimento disponibiliza caixas de som.

A primeira experiência de cinema drive-in já tem mais de um século e ocorreu no México, na cidade de Las Cruces, que tinha um espaço parcialmente drive-in. O estabelecimento era um Outdoor Cinema, que também é ao ar livre, mas se diferencia de um drive-in por não ter as vagas para carros. Mas o Theatre de Guadalupe reservou um espaço “especial” para as pessoas assistirem aos filmes dos primórdios do cinema em seus veículos. Algumas outras experiências ocorreram na década de 20, mas foi em 1933 que a invenção foi oficialmente patenteada, quando, após muitos testes em seu quintal, o magnata Richard Hollingshead Jr. abriu o seu cinema, na cidade de Nova Jersey, nos Estados Unidos.

Aos poucos a prática foi se popularizando, atingindo o seu auge entre as décadas de 50 e 60. Na época, apenas nos Estados Unidos, existiam mais de quatro mil cinemas drive-ins, a maioria em áreas rurais. Até hoje esse costume permanece vivo para os norte-americanos, ganhando um aumento de usuários provocado pela pandemia do Covid-19.

NO BRASIL

Embora não tão popular quanto nos Estados Unidos, o Brasil também teve sua época de ouro do Cine Drive-In, com um grande público adepto ao formato. O maior destaque foi e é até hoje o Cine Drive-in de Brasília (DF), o único existente no país atualmente. Inaugurado em 1973, hoje o espaço tem capacidade para 500 carros e possui a maior tela do país, com 312 m² (metros quadrados).

A VOLTA DOS DRIVE-INS

Com as salas de cinema fechadas o jeito foi voltar com o cinema drive-in. Sessões estão sendo realizadas em Brasília e no litoral de São Paulo. No final de abril, o Cine Drive-in Brasília conseguiu autorização do governo federal para reabrir, exibindo três filmes em cartaz. Segundo o portal Filme-B, foram vendidos 2,8 mil ingressos no primeiro final de semana após a abertura.

Vale ressaltar que o Cine Drive-in Brasília opera com restrições: o funcionamento da lanchonete está proibido, o número de carros é limitado pela metade, os espectadores não podem sair do veículo e apenas uma pessoa pode usar o banheiro por vez.

No dia quatro de maio, foi a vez da rede Cinesystem lançar o seu próprio drive-in, no estacionamento do Litoral Plaza Shopping, em Praia Grande (SP). Outras iniciativas similares no formato começaram a surgir. O estádio do Palmeiras, o Allianz Parque, em São Paulo, anunciou a criação de seu drive-in, que aguarda liberação das autoridades.

O complexo cultural Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, deve estrear seu cinema a céu aberto no final deste mês, segundo o Filme B. Conforme o jornal  Folha de São Paulo, a empresa Dream Factory pretende pôr telas em estacionamentos de shoppings em oito capitais do país para que os espectadores vejam filmes em seus carros. Porém, a data do projeto ainda não foi divulgada.

NO RS

Para o Rio Grande do Sul, o grupo Cine + Arte prepara a instalação de dois cinemas drive-in: um em Xangri-lá e outro em Montenegro, na região Metropolitana. Segundo a arquiteta e urbanista do projeto, Letícia Kauer, ambos devem ser inaugurados, se tudo der certo, até julho.

“Em Xangri-lá, estão sendo resolvidos trâmites burocráticos com a prefeitura. Depois disso, iniciam as obras, que devem durar 20 dias”, conta Letícia.

No município do Litoral Norte, o drive-in será instalado ao lado do Hospital e Centro Clínico Lifeday, no bairro Santorini. A propriedade, assim como em Montenegro, será locada e terá estruturas móveis, por isso a ideia é expandir o projeto para outras cidades do Litoral Norte e mantê-lo mesmo após o fim da pandemia.

“Os filmes, no início, serão os das plataformas da Warner, Universal e Paris Filmes que foram liberados para a retomada dos cinemas. Depois, conforme forem liberando lançamentos, será simultâneo com as salas de cinema. Teremos também filmes clássicos que fizeram sucesso no passado”, comentou o proprietário do Cine + Arte, Ewerton Brandolt.

EM PORTO ALEGRE

A rede GNC Cinemas (com salas nos shoppings Praia de Belas, Moinhos e Iguatemi) está avaliando a possibilidade de promover um cinema drive-in NA capital. Segundo o diretor da rede, Ricardo Difini Leite, que também é presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feneec), estão sendo analisadas as vantagens e desvantagens do formato. De acordo com Difini, caso a GNC decida pelo drive-in, o projeto piloto deve ser iniciado em Porto Alegre por ser o maior centro entre as regiões onde a rede atua, e dependendo do resultado pode se expandir por todo o Estado.

Foto: Divulgação