A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, confirmou na quinta-feira (19), a ocorrência de 14 novos casos da variante delta do Coronavírus no RS. A confirmação é realizada por meio de sequenciamento genético completo, que define, de forma 100% precisa as variantes das amostras. Com isso, chegou a 66 casos confirmados da cepa de origem indiana no Estado, além de 95 prováveis aguardando confirmação, totalizando 161 amostras.

Entre os novos casos confirmados, está o do morador de Capão da Canoa. O idoso de 72 anos de idade estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Santa Luzia e acabou falecendo no último dia quatro desse mês. O homem foi diagnosticado com a Covid-19 no início de julho e já havia recebido as duas doses da vacina. Vale destacar que a esposa do paciente, de 62 anos, também foi contaminada, mas a amostra não chegou a ser encaminhada a Fiocruz, visto que o resultado positivo se deu por meio do teste rápido. Ela chegou a ficar internada, mas recebeu alta poucos dias depois.

O idoso morador de Capão da Canoa foi o 1º caso confirmado da variante Delta na região. Além desse, há um caso suspeito da cepa, de uma pessoa moradora de Cidreira. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde da cidade, o município aguarda o resultado do teste para tomar as devidas precauções.

Além de Capão, outras 20 cidades já registraram ao menos um caso da Delta. São elas: Alvorada, Canoas, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Estância Velha, Esteio, Garibaldi, Gramado, Guaíba, Nova Bassano, Novo Hamburgo, Panambi, Passo Fundo, Porto Alegre, Santa Maria, Santana do Livramento, São José dos Ausentes, São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Triunfo.

Além de Cidreira, outros 25 municípios tem casos suspeitos da variante do novo coronavírus. São eles: Alegrete, Alvorada, Bom Retiro do Sul, Cachoeirinha, Canela, Canoas, Caxias do Sul, Esteio, Garibaldi, Gramado, Gravataí, Guaíba, Montenegro, Não-Me-Toque, Novo Hamburgo, Paraí, Passo Fundo, Porto Alegre, Santa Maria, Santo Ângelo, São Francisco de Paula, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Vacaria e Viamão.

EXPANSÃO DA VARIANTE

O especialista do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Richard Steiner Salvato, reitera que a delta está em circulação no Estado de forma autóctone (transmissão comunitária, sem que possa definir a origem da infecção) há quase um mês. O Cevs declarou esse tipo de transmissão da variante em 24 de julho. “Então ela já pode estar em qualquer município. As medidas de proteção como uso de máscaras, álcool gel, evitar aglomerações e diminuir as exposições continuam vigentes”, alertou Salvato.

Entre os casos sequenciados nesta última leva pela Fiocruz, o laboratório ainda identificou uma amostra da variante Alpha (B.1.1.7), que teve o primeiro registro no Reino Unido. O paciente com esta cepa é residente de Caxias do Sul (na Serra). A amostra foi coletada ainda em maio e referia-se a um dos dois casos que já estavam registrados no painel da Vigilância Genômica da Secretaria da Saúde (SES). “Parece se tratar de um caso isolado, como foi visto também em Pelotas em fevereiro, pois se houvesse uma disseminação minimamente expressiva nós iríamos identificar nas nossas análises”, garantiu Salvato.

Na quinta-feira (19), a porcentagem da variante delta em relação à variante gamma identificadas na última semana estava em aproximadamente 18%. A gamma (P.1) surgiu no Amazonas e é predominante no Estado desde o início de março. No início do mês de agosto, essa porcentagem estava variando entre 10% e 15%. De acordo com Salvato, a delta está tomando um espaço importante, mas mais lenta do que ocorreu em outros países da Europa e nos Estados Unidos, onde, após cinco semanas da identificação, essa variante já representava a maioria das amostras analisadas. A diferença desses países analisados para o Brasil, e mais especificamente o território gaúcho, é que aqui predomina a gamma.

VARIANTES DE PREOCUPAÇÃO IDENTIFICADAS NO ESTADO

Gamma (P.1) – Identificada pela primeira vez em Manaus. Até o momento, é a variante de preocupação com maior circulação do Estado.

Delta (B.1.617.2) – Identificada pela primeira vez na Índia. Vem ganhando espaço aos poucos nas últimas semanas no Estado.

Alpha (B.1.1.7) – Identificada pela primeira vez no Reino Unido. No Estado, apareceu em duas amostras de sequenciamento genético, uma em Pelotas e outra em Caxias do Sul. Trata-se de dois casos isolados até o momento.

FOTO: Divulgação


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