A primeira edição do Programa de Integração Arte e Comunidade (Casco) vai trazer 12 artistas brasileiros para diferentes pontos do Litoral Norte gaúcho.  Viabilizado com recursos da Lei Aldir Blanc (Lei nº 14.017/2020), o projeto pretende aproximar arte de moradores de pequenas comunidades onde não há galerias nem museus.

Na primeira semana de fevereiro, artistas, moradores, historiadores e entidades locais farão encontros online para debater sobre as características da região. Entre os dias 6 e 7, os artistas participantes começam a se instalar individualmente em 12 distritos nos municípios de Itati, Maquiné, Osório, Terra de Areia e Três Forquilhas.

OS LOCAIS

São zonas com menos de 10 mil habitantes que combinam características rurais e urbanas. Chama a atenção a diversidade étnica da região, povoada por açorianos, italianos, quilombolas, alemães e indígenas. Cada artista viverá em um dos seguintes distritos da região: Barra do Ouro e Morro Alto (Maquiné), Itati (distrito-sede de Itati), Aguapés, Borússia, Passinhos, Santa Luzia e Atlântida Sul (distritos de Osório), Terra de Areia e Sanga Funda (distritos de Terra de Areia) e Três Forquilhas (distrito-sede de Três Forquilhas).

OS ARTISTAS

Os artistas do Casco são nomes de destaque no circuito da arte contemporânea e trabalham com diferentes linguagens artísticas. Em comum, possuem carreiras marcadas por trabalhos que envolvem relações comunitárias e territoriais. São eles: os gaúchos Daniel Escobar (Santo Ângelo), Dirnei Prates (Porto Alegre), Fabiana Faleiros (Pelotas), Pablo Paniagua (Giruá), e Tomaz Klotzel (Pelotas); a catarinense Tereza Siewerdt (Rio do Sul); o paranaense Arthur L. do Carmo (Curitiba); o paulista Daniel Caballero (São Paulo); as mineiras Carolina Cordeiro (Belo Horizonte) e Charlene Bicalho (João Monlevade); a baiana Lilian Maus (Salvador); e o pernambucano Thiago Guedes (Recife).

O PROJETO

Durante três semanas, cada um terá a missão de produzir uma obra de arte que converse com as particularidades de cada território, envolvendo as narrativas dos habitantes ou a paisagem do entorno. Em cada distrito, um morador foi contratado para facilitar o elo entre o artista e o local. No final de fevereiro, o projeto de residência artística resultará em 12 trabalhos que serão apresentados em um evento transmitido online. Cada artista escolherá o assunto e o formato da sua obra, que poderá assumir qualquer linguagem da arte contemporânea – vídeo, ação performática, produção literária, objetual, processual, instalação, entre outras.

O processo de criação será acompanhado pela equipe de coordenação do projeto formada pelos curadores Paola Mayer Fabres, Luciano Nascimento Figueiredo e Maria Helena Bernardes e pelo historiador Maurício Manjabosco. Toda a experiência será registrada em um minidocumentário e um livro com lançamento previsto para o mês de abril e distribuição na rede de bibliotecas e escolas locais, além das principais instituições artísticas do Estado. “Do ponto de vista artístico, o projeto CASCO propõe um acesso direto à cultura, sem a mediação de espaços expositivos ou centros culturais. O programa também valoriza parcerias com os pequenos negócios. Por alocar artistas e curadores de maneira descentralizada nos bairros dos municípios citados, buscamos estimular uma rede de economia local, já que hospedagem, alimentação e contratação de representantes comunitários gerarão renda para as próprias localidades”, explica a coordenadora do Casco, Paola Mayer Fabres.

INTEGRAÇÃO EM TEMPO DE PANDEMIA

Devido à pandemia causada pelo novo coronavírus, os processos de trabalho do Casco foram repensados para tornar segura a integração de práticas artísticas e processos comunitários. Encontros presenciais tornaram-se virtuais, articulações sociais foram organizadas em redes digitais e pesquisas in locu serão realizadas individualmente. Já eventuais reuniões presenciais ocorrerão apenas em espaços abertos e/ou com distanciamento e uso de máscaras. Também está prevista a aplicação de testagens para Covi-19 em toda a equipe.

Foto: Divulgação