IPEO Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS) investiga uma fraude que teria lesado o IPE-Saúde em R$ 3 milhões. O Laboratório Esplanada  Análises Clínicas de Soledade teria fraudado exames, segundo a operação Examinação deflagrada nesta quarta-feira. Devem ser cumpridos oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Ibirapuitã, Palmeira das Missões e Soledade. Estima-se que sete pessoas estejam envolvidas na organização criminosa.

No ano passado, o IPE reportou ao MP que 17.666 exames teriam sido fraudados pelo Laboratório de Análises Clínicas Esplanada Ltda. Para a requisição de exames, não era necessário que o paciente apresentasse o cartão magnético do IPE (medida utilizada para facilitar o procedimento em casos de esquecimento da “carteirinha” por parte do segurado). Assim, os atendentes solicitavam a senha do usuário, que ficava de posse do laboratório. Depois, eram pedidos exames sem requisição médica dos pacientes, todos pagos pelo IPE.

Estima-se que, entre 2012 e 2017, tenham sido pagos indevidamente, apenas a esse laboratório, cerca de R$ 3 milhões. Depois da descoberta da fraude, o procedimento foi alterado e não é mais possível solicitar exames sem a inserção do cartão magnético no equipamento.

O diretor de Saúde do IPE, Alexandre Escobar, ressalta que o uso do PinPad é obrigatório para atendimento em consultório e, agora, também para exames. A senha do beneficiário do IPE-Saúde é pessoal e intransferível. A fraude foi descoberta a partir de uma denúncia anônima à Ouvidoria do IPE, com o relato do que ocorria no laboratório. Em um dos casos, descobertos pelo IPE durante a investigação, uma usuária estava internada em Porto Alegre e os exames sendo feitos em Soledade no mesmo período, o que chamou atenção dos servidores que atuavam no processo. Durante as investigações do Gaeco Núcleo Saúde, descobriu-se que foram pagos 827 exames em menos de 12 meses no cartão da usuária.

Outra paciente teve, em sua conta, 1.247 exames em período semelhante, mais de 100 por mês. Pelo menos três pessoas ajuizaram ações judiciais contra o laboratório investigado em virtude da fraude e, para evitar chamar a atenção da Justiça sobre os crimes praticados, os investigados fizeram acordos extrajudiciais e pediram a extinção do processo.