A produção de pitaia vem crescendo no RS. Um exemplo é o município de Mampituba, o qual chegou a nove hectares de produção. A cidade do Litoral Norte, juntamente com Novo Hamburgo, Vale Real, Santa Cruz do Sul e Terra de Areia (outro município da região) está entre os maiores produtores da fruta no Estado.

Segundo levantamento da Emater/RS-Ascar – vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) – existem mais de 20 produtores de pitaia em Mampituba, distribuídos nas comunidades do Costãozinho, Rio de Dentro, Vila Brocca, Vila São Jacó e Cambraia. “Esta cultura tem potencial produtivo e de mercado e, além disso, ganha destaque quando incluída em roteiro turístico, como é o caso do Vale das Pitaias, roteiro da comunidade do Costãozinho que contempla a visitação de duas propriedades produtoras da fruta”, explica a extensionista da Emater/RS-Ascar em Mampituba, Lauren Petenon.

Desde 2018 a Emater/RS-Ascar desenvolve ações, em parceria com a Secretaria Municipal da Agricultura, para desenvolver o sistema de produção da pitaia e a cadeia produtiva como um todo. “Por esse motivo foram realizados diagnósticos, reuniões técnicas, criação de grupo virtual para orientações técnicas e assessoramento aos produtores ao longo desses anos. Importante dizer que em 2020 foi publicado um manual técnico elaborado pela Epagri/SC orientando quanto ao manejo e implantação da cultura, que veio corroborar a atuação técnica junto aos produtores da fruta”, explica Lauren.

Neste ano, inclusive, foi celebrada a abertura da colheita da pitaia no Vale das Pitaias, em janeiro de 2021, evento que tende a ganhar destaque nos próximos anos. A safra desse ano, que iniciou em novembro passado e está se encerrando no início de junho, tem registrado uma boa produtividade, porém o preço pago ao produtor teve leve queda ao longo do período.

A safra que se encerra está embasada em pomares de dois a cinco anos de produção, o que varia a produtividade, ou seja, pomares mais novos apresentam menores produtividades e pomares mais antigos apresentam produtividades maiores, porém o tipo de manejo e tempo dedicado a cada pomar também influencia significativamente a produção. A produção chegou 191,3 quilos nesta safra, sendo a produtividade média 17,3 quilos por hectare.

 A partir do acompanhamento da cotação de preços ao longo da safra foi possível identificar que os valores pagos pela fruta apresentaram queda, comparado aos anos anteriores (na safra de 2019/2020 o preço era de sete reais por quilo). Segundo Lauren, uma possibilidade para justificar este fato consiste no aumento da oferta da fruta ao mercado consumidor.

O assistente técnico regional de fruticultura da Emater/RS-Ascar, Luís Bohn, conta que desde o surgimento da pitaia como alternativa de produção aos agricultores foi necessária a conscientização de que não se tratava de um mercado fácil ou de alta rentabilidade imediata. “Quando surge um fomento de uma cadeia produtiva, a tendência é de ‘encantamento’ ou do risco de se vender uma ilusão, que pode virar uma frustração. Para os produtores de Mampituba esta foi uma situação debatida e considerada”, esclarece Bohn. Por isso, o cenário mostra a crescente implantação de pomares de pitaia no município e região, mas, evidentemente, há incertezas com relação à comercialização e rastreabilidade, pois ainda está sendo estruturada a cadeia produtiva da cultura.

A cada safra há o aumento de conhecimento sobre o cultivo e melhoria das práticas agrícolas, como é o caso das orientações de espaçamentos maiores entre as plantas, que estão sendo adotadas pelos produtores, seguindo as orientações da Emater/RS-Ascar. “O estreitamento dos vínculos com os produtores tem se mostrado positivo, pois reflete num assessoramento contínuo e de qualidade, visando à geração de renda, diversificação de culturas, valorização dos agricultores e atuação na cadeia produtiva. E seus desdobramentos, como a inserção da pitaia junto ao turismo rural e como possibilidade de agroindustrialização da fruta, também são outros ganhos”, destaca a agrônoma da Instituição, que ressalta ainda a importância e o apoio permanente da prefeitura do município para que a pitaia se destaque.

Foto: Emater


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