A campanha de conscientização “Novembro Azul”, voltada para as doenças masculinas, tem ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata — a fase inicial do tumor é silenciosa, por isso a importância da detecção precoce. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), esse tipo de câncer é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). A entidade prevê mais de 65 mil novos casos de câncer de próstata até o final de 2020.

Em seu estágio inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.

De acordo com Marcelo José Sette, médico do ambulatório de urologia do Centro Clínico Dona Helena, de Joinville (SC), as causas do câncer de próstata não são completamente conhecidas, mas observa-se que a idade está relacionada: homens acima de 50 anos têm mais chance de desenvolver o tumor. Segundo o INCA, o câncer de próstata é considerado um “câncer da terceira idade”, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Fatores genéticos (hereditários), hábitos alimentares ou estilo de vida podem refletir no surgimento do câncer. O excesso de gordura corporal também aumenta o risco de câncer de próstata avançado. “Bons hábitos alimentares e de saúde física podem auxiliar na prevenção”, frisa o urologista.

Se não tratado, o câncer de próstata pode gerar outras complicações. “Dependendo do estágio da doença, as mais comuns são metástases em gânglios próximos à próstata, invasão da bexiga, levando à obstrução urinária e sangue na urina em grande quantidade, e, por último, metástases em ossos do corpo, como vértebras, bacia e crânio (geralmente provocando dor relevante)”, explica o profissional.

O diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilita melhores resultados no tratamento. “O exame de sangue para avaliar a dosagem do PSA (antígeno prostático específico) e o exame do toque retal são os mais eficientes na investigação do câncer de próstata”, aponta o médico. “Em casos iniciais, a cura é o objetivo do tratamento, podendo este ser feito de modo cirúrgico e/ou radioterapia, com excelentes resultados. Em casos mais agressivos ou mais avançados, o tratamento engloba o uso de medicações com resultados cada vez mais promissores”, destaca Marcelo. A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após médico e paciente discutirem os riscos e benefícios de cada um.

Oncogenética para rastreamento precoce

No Onco Center Dona Helena, há profissionais aptos a realizar aconselhamento genético, serviço que auxilia na prevenção — a oncogenética é uma ciência que estuda os aspectos moleculares, celulares, clínicos e terapêuticos de síndromes de predisposição ao câncer. “O objetivo principal é identificar portadores de defeitos genéticos que aumentariam as chances do indivíduo desenvolver câncer de próstata e, então, atuar de forma preventiva para reduzir o risco, por meio de exames de rastreamento, cirurgias preventivas e/ou terapias”, detalha Lucas Sant’Ana, médico oncologista.

Pacientes com histórico familiar de câncer de próstata ou de outros cânceres; com presença de certas mutações genéticas; e pacientes com câncer de próstata já diagnosticado, com risco alto, muito alto ou metastático formam um grupo de indivíduos que possuem maior probabilidade de terem diagnóstico de mutações genéticas. “Sendo assim, a avaliação de um médico que atue com oncogenética é indicada para realizar a investigação genética do paciente”, aponta Lucas. “Caso diagnosticado com alguma mutação genética, este paciente pode se beneficiar de um rastreamento mais precoce do que o usual, bem como de terapias diferenciadas para aqueles que já têm esse diagnóstico”.