Os R$ 92,00 a mais no salário-mínimo nacional, que subiu a R$ 880,00 neste mês, vão injetar R$ 3,1 bilhões na economia do Estado em 2016. No País, o acréscimo é de R$ 57 bilhões. A chamada política de valorização do piso deve alcançar 48 milhões de brasileiros, mais de 22 milhões de aposentados e outros beneficiários do INSS (quase 70% dos segurados). No Rio Grande do Sul, serão 2,6 milhões de pessoas (maior número é de 1,6 milhão de beneficiários da Previdência Social) que devem ter o acréscimo aos ganhos, com pagamento previsto para começo de fevereiro.

O impacto foi medido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), indicando que o reajuste nominal de 11,68% implica em 0,36% de aumento real (o INPC é usado como referência e foi de 11,28% em 2015). Foi o menor aumento real desde 2002. Os analistas do departamento ressaltaram que as correções buscam manter o poder de compra no longo prazo e têm efeito a outros segmentos do mercado de trabalho que usam o piso como referência a remunerações.

Além de estimar o efeito na renda, o órgão mediu a geração de tributos em 2016 devido à disponibilidade de mais recursos. No País, a estimativa ficou em R$ 30,7 bilhões. No Estado, a projeção é de R$ 1,7 bilhão aos cofres de governos. O último aumento menor que o de 2016 ocorreu em 2011, quando o reajuste foi de 6,86%, para um INPC de 6,47%. O ganho real ficou em 0,37%. O valor do piso era de R$ 545,00. Desde 2003, a correção nominal acumulada do salário foi de 340%; e o ganho real, de 77,18%, abaixo do INPC de 148,34%. O piso saiu de R$ 240,00 (2003) a R$ 880,00 (2016). No período, a maior inflação foi registrada em 2003, em 18,54%.

O maior reajuste do piso foi em 2006 (último ano do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República), que chegou a 16,67%, para uma inflação do INPC de 3,21%. O aumento real foi de 13,04%. “O mais importante é que foi dado um ganho, mesmo que seja baixo”, avalia o diretor regional do Dieese, Ricardo Franzói. “O grande problema hoje é que a inflação está mais alta para quem ganha menos, e este valor não recupera o poder de compra de quem ganha o mínimo”, alerta Franzói, observando que a regra atual de reajuste não pode ser perdida.

Segundo o diretor, somente a retomada do crescimento criará condições para estabelecer uma política mais adequada. “Se acharmos que reduzir o poder de compra dos salários é a forma para sair da crise, é só ver a maioria dos países desenvolvidos que está lutando para sair da recessão.” Franzói ressaltou ainda a importância do cumprimento da atual política, que vigora desde 2010. Uma das mudanças foi antecipar a vigência do novo mínimo para janeiro. Também prevê a reposição do INPC e o repasse do aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

O valor de 2016 carregou o ganho de 0,1% do PIB computado em 2014. Para 2017 e 2018, a política do mínimo pode sofrer com a queda no crescimento em 2015 e esperada para 2016. Franzói lembrou ainda que as correções do piso nacional ajudam nas negociações de categorias de trabalhadores e da atualização do piso regional. “O ganho não ajuda os sindicatos patronais que defendem reajustes abaixo da inflação”, previne o diretor regional do Dieese. No Estado, até agora, está indefinido o reajuste do piso regional.