*Cícero Carlos Maia

Do ano passado para cá passamos a ouvir, nos telejornais, a expressão: “gabinete do ódio!” Realmente o nome é dos mais pesados que há! Segundo os comentários na imprensa comum, se trata de um conjunto de pessoas que se dedicam a exarar notícias que confundam as pessoas que se interessam pelo universo político administrativo do Brasil, sem analisá-las com um mínimo de atenção.

Vamos examinar uma das notícias veiculadas e que gerou muita repulsa, não só pela noticia em si, mas pelo conteúdo da mesma, que envolve uma realidade só nossa e que é a seguinte: foi passada a informação de que a Presidência da República estava sonegando dados sobre a pandemia em não divulgar os dados precisos da mesma, em todo o Brasil, como é feito em todos os países do mundo!

Ao analisar a notícia vêm as seguintes perguntas: todos os países do mundo têm distâncias continentais como as do Brasil? Têm estados carentes como o nosso Acre, Roraima, Amapá, grandes como o Amazonas e Pará, dentre outros? Todos os países do mundo dispõem de uma internet com a mesma qualidade da nossa? Quantos países do mundo dispõem de um cartório a duzentos quilômetros, distantes da capital do estado como acontece em muitos dos Estados brasileiros? Quantos países do mundo têm estados, cantões ou províncias, seja lá o que for, como o Estado de Roraima que nem de energia elétrica brasileira dispõe, tendo que importar a pouca que consome da depauperada Venezuela, cuja realidade, dispensa apresentação! Essas são apenas algumas das considerações que se podem apreciar envolvendo uma só noticia, publicada pelos telejornais das televisões brasileiras!

Outra notícia é a que nos vem do auxílio emergencial concedido aos nacionais, em adiantado estado de dificuldades pessoais! Cumpre ressaltar que o valor dado, é uma importância que precisa ser computada à saída dos cofres públicos e devem ser prestadas contas do mesmo à sociedade por ser entregue a uma população de, apenas, setenta e cinco milhões de brasileiros carecidos.

Os esforços humanos, econômicos, ou laborativos feitos, nacionalmente, para por fim à tragédia, não contam, não são vistos e nem merecem consideração. O que importa são as mortes, sepulturas. Ao gabinete do ódio, é mais realce o número de mortos que ao de curados; o de quem não recebeu o auxílio financeiro do que os beneficiados.

Somos o segundo país que mais cura infectados, isso não é notícia?

*Professor e Administrador.