Até o início desse ano, a curiosidade de moradores e veranistas era saber em qual local seria instalado o novo porto da região. Especulações apontavam que o empreendimento poderia ser instalado nas imediações da Praia de Rondinha ou no Balneário Arroio Seco.Devido a uma série de fatores, como disponibilidade de áreas, facilidade de acesso e condições ideais de calado, a segunda opção, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Agropecuária e Pesca, Luiz Carlos Schmitt, é a escolha do grupo de russos dispostos a investir no empreendimento capitaneado pela Doha Investimentos e Participações S/A.

Além da definição da localização, Schmitt, que apresentou os detalhes do empreendimento a empresários e lideranças do município no último dia 14 de agosto, confirmou que a empresa vai iniciar neste mês as obras da sede administrativa, e que já está buscando as licenças ambientais, para iniciar as obras no primeiro semestre do ano que vem. Aproximadamente 25 mil empregos diretos e indiretos deverão ser gerados a partir da operação do porto e estima-se que sejam investidos pelo menos um bilhão de dólares.

Favorabilidade

Conforme Schmitt, a prefeitura local já emitiu um documento denominado de “favorabilidade”, que está assinado por ele, pela Procuradoria Geral do município e o prefeito, Affonso Flávio Angst (Bolão), o qual sinaliza que a cidade está disposta a receber o empreendimento. “A Doha encaminhou o documento para a Secretaria, para que a gente concedesse uma licença ambiental para montagem do escritório. A partir disso foi concedida a licença para a sede de mil metros quadrados. Também encaminharam a licença para construção, obtiveram a viabilidade junto a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e a agora está sendo realizada a parte de licenciamento ambiental junto ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente)”,explicou o secretário.

Em abril do ano passado, a Marinha do Brasil informou que realizou a atualização da batimetria, que traça o perfil de profundidade, pelo navio oceanográfico Antares. Também foram avaliados os ciclos das marés lunares na região entre o Rio Mampituba e a barra do Rio Tramandaí. Se observou que a profundidade na costa da cidade chega a 30 metros, mais especificamente em Arroio Seco.

“Para que se tenha os maiores navios do mundo atracados se necessita de um calado de 27 metros”, lembra Schmitt. Para aproveitar esta característica, a Doha projetou um terminal do tipo offshore, onde uma ponte de concreto ou quebramar dá acesso a uma ilha artificial que ficará situada a 2.200 metros da praia, onde estará o cais.

Praia

O projeto é semelhante a instalações portuárias de Itapoá (SC) e Pecém (CE). Schmitt garante que o projeto ocupará pouco espaço na praia. Em Arroio Seco, a área de terra a ser utilizada tem cerca de 200 metros de largura, mas possui acesso livre a ERS-389 (antiga Estrada do Mar). “Uma ponte sobre a Lagoa Itapeva vai dar acesso direto de veículos pesados da BR-101, em Três Cachoeiras, ao terminal”, adianta. Também não serão necessárias desapropriações. Quando entrar em operação, o que ainda não tem uma data para acontecer, espera-se a geração de 900 a mil empregos diretos.

Em dezembro de 2019, investidores russos estiveram em visita ao RS e conheceram o local. Também assinaram um protocolo de intenções com o governo do estado e município. Além dos investidores, o documento contém o aval da então diretora geral do Comitê Nacional para a Cooperação Econômica com os Países da América Latina do governo da Rússia, Tatyana Mashkova.

Segundo o secretário Scmitt o novo porto vai ser “um dos portos mais modernos do mundo. Vai ser bom para o Rio Grande do Sul, que não precisará contar exclusivamente com Rio Grande, um porto que requer dragagem constante”.

Foto: Divulgação