A Polícia Civil (PC), por meio da Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes de Roubo de Veículos (Deic), em conjunto com a Brigada Militar (BM), realizou no início da manhã desta quarta-feira (2),  uma Operação para combater os crimes de roubos e furtos de veículos no Estado. As ações foram realizadas nas cidades Cidreira, Porto Alegre, Viamão (região Metropolitana) e Florianópolis (SC). Ao todo, 12 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, sendo três pessoas presas.

De acordo com os delegados Rafael Liedtke e Marco Guns, as investigações tiveram início há aproximadamente oito meses, em meados de abril, quando um indivíduo, de 37 anos de idade, foi preso pelos policiais civis no município de Viamão na posse de um veículo com as placas clonadas, o qual havia sido roubado em Porto Alegre. Além disso, naquela ocasião os agentes ainda localizaram e apreenderam diversas placas falsificadas, tarjetas, lacres de placas e ferramentas para adulteração de sinais identificadores (clonagem de veículos roubados), tudo escondido embaixo da cama no quarto do investigado.

A partir daí, as investigações policiais que se seguiram demonstraram a existência de um verdadeiro esquema criminoso, consistente na prática de roubo de veículo sob encomenda e na clonagem desses automóveis subtraídos (adulteração de seus sinais identificadores), em especial com placas Mercosul falsificadas pela própria organização criminosa. Os lucros auferidos indevidamente pelos indivíduos com a prática desses delitos seriam divididos por todos integrantes da organização criminosa, de acordo com a tarefa realizada por cada criminoso.

No decorrer das diligências policiais, os policiais civis localizaram no bairro Algarve, em Alvorada, uma fábrica clandestina de falsificação de placas e de clonagem de veículos roubados em Porto Alegre e na região Metropolitana do Estado, resultando na prisão em flagrante de um homem pela prática dos delitos de adulteração de sinais identificadores e falsificação de documentos públicos. Na ocasião foram apreendidas duas motocicletas, dezenas de placas falsificadas, documentos de porte obrigatório falsificados, tarjetas, além de farto material e equipamentos utilizados para clonagem (adulteração de numerações de chassi, motor, vidro, placas) de veículos roubados. Outro homem também foi preso em Porto Alegre durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, sendo autuado em flagrante por tráfico de drogas. Ele estava na posse de maconha e uma balança de precisão.

Em agosto, os policiais civis da Especializada, em constante contato e troca de informações com os policiais militares, ouviram os depoimentos de diversas vítimas, as quais reconheceram fotograficamente os investigados como sendo autores do delito. De acordo com os delegados Rafael Liedtke e Marco Guns, os criminosos agem, na maioria das vezes, em duplas e se aproveitavam de um momento de distração das vítimas para executar o roubo do veículo, sempre mediante grave ameaça, imposta pelo emprego de arma de fogo. Conforme as investigações apontam, após a prática desses roubos, os veículos subtraídos têm seus sinais identificadores adulterados/clonados (placas, numeração de vidros, chassi e motor) e, em alguns casos, acabam sendo repassados ao Estado de Santa Catarina, onde são revendidos como se fossem originais.

Os presos foram conduzidos até a sede da Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes de Roubo de Veículos do Deic, onde foi registrada a ocorrência e posteriormente foram encaminhados ao sistema prisional. Eles vão responder pelos crimes de organização criminosa (pena máxima prevista de até oito anos de reclusão), roubo de Veículo (pena máxima de até 16 anos), receptação (pena máxima de até cinco anos de reclusão), adulteração de sinais identificadores de veículos automotores (pena máxima de até seis anos de reclusão), uso de documentos falsos (pena de até seis anos de reclusão) e porte ilegal de arma de fogo (pena máxima de até seis anos de reclusão). Caso peguem a pena máxima, os presos podem pegar até 47 anos de prisão.

O diretor do Deic, delegado Sander Cajal, enalteceu mais um trabalho de excelência, demonstrando o comprometimento da polícia com a sociedade gaúcha, mesmo em tempo de grave pandemia, que não pode admitir a prática desses delitos patrimoniais graves, com a utilização de armas de fogo. Em especial, o delegado Cajal ressaltou importante integração e troca de informações com a Brigada Militar, culminando com redução de 40% na incidência de roubos de veículos no Estado.

Fotos: PC