A Polícia Civil desencadeou no começo desta quarta-feira (13) em Porto Alegre a segunda fase da operação Casas de Areia, que investiga a venda fraudulenta de imóveis que nunca foram entregues aos compradores pelos golpistas no Litoral Norte. A Divisão Estadual de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), coordena o cumprimento de mandado de busca e apreensão na Capital.

Agentes da Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes de Lavagem de Dinheiro, sob comando do delegado Marcus Vinicius da Silva Viafore, recolheram documentos e materiais em um apartamento, localizado na Rua Ramiro Barcelos no bairro Independência, o qual seria a sede da empresa de consultoria TJP. Essa empresa foi criada para receber pagamentos destinados ao grupo econômico Báril, visando evitar os bloqueios das contas por credores. A consultoria empresarial serviria também para que o grupo continuasse operando e pagasse contas pessoais e transferência de dinheiro para os sócios investigados.

As investigações apuram os crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e fraude praticados por sócios e integrantes de um grupo econômico, formado por empresas, que vendiam sem entregar imóveis e casas nas cidades de Imbé, Tramandaí e Xangri-lá. Segundo a polícia, os sócios da empresa já respondem mais de 400 ações de indenização por não terem concluído os imóveis.

Um dos processos judiciais que enquadra sócios do grupo Báril é uma ação civil pública, movida pelo Ministério Público, por terem deixado de entregar mais de 580 casas. A suspeita é de que assumiam obrigações sem lastro financeiro para honrá-las com as vítimas, de maneira proposital. Os casos mais graves são os do Lagune Resort, em Tramandaí, e o Costero La Barra, em Xangri-lá, que não tiveram uma casa sequer construída, embora a incorporadora tenha vendido 327 unidades no primeiro residencial e 181 no segundo, totalizando 508 imóveis. Vale ressaltar que os sócios do grupo Báril também são investigados na esfera criminal.

PRIMEIRA FASE

Na 1ª fase da operação Casas de Areia, realizada em maio do ano passado, ocorreu o bloqueio de contas da TJP e de dois familiares de sócios da Báril que, da mesma forma, cediam contas bancárias para que as empresas do grupo pudessem também receber valores e efetuar pagamentos e transferências de numerário aos sócios.

O grupo tinha como objetivo ludibriar as vítimas que moviam ações cíveis para fins de ressarcimento dos prejuízos pelas casas não entregues. Houve ainda na ocasião da primeira etapa o sequestro de dois imóveis de investigados que estavam em nome de terceiros com o intuito de ocultação patrimonial. Foi deferida ainda a quebra do sigilo bancário e fiscal de todos os envolvidos.

Na ação foi deferido judicialmente o afastamento do sigilo bancário e fiscal de todos os envolvidos, sendo recolhidos na época documentos, celulares e vários pendrives.

A DEFESA

O advogado do grupo Báril, Rafael Canterji, declarou estar a disposição da polícia e que acredita que todos os “esclarecimentos devidos” vão ser dados “as autoridades competentes”.

Foto: PC