Com bandeira vermelha em todo o Litoral gaúcho, as praias registraram movimento abaixo do esperado para esta época do ano. Com mar agitado e ventania, veranistas evitaram entrar na água e optaram por ocupar a faixa de areia. De acordo com o coordenador de Operações da Operação Verão do Corpo de Bombeiros Militar, major Isandré Antunes, praias como Capão da Canoa e Tramandaí tiveram menos movimento do que na mesma época do ano anterior. “Está abaixo do que estava no ano passado. Na faixa de areia é perceptível a redução (de público), considerando que tem sol. Tem menos movimento do que normalmente se observa nesta data”, afirmou o major.

Conforme Antunes, na última quinta-feira (24), foram registradas cinco ocorrências de resgate em todo Litoral, sendo duas em Capão da Canoa, uma em Tramandaí e outra em Torres. A quinta ocorrência ocorreu na praia de Cassino, em Rio Grande, do Litoral Sul. Embora não tenham sido registrados muitas ocorrências por aglomeração, Antunes afirma que poucos usuários seguem a recomendação para uso de máscara à beira-mar. “O pessoal está respeitando o distanciamento e evitando aglomerações. Em geral são núcleos familiares. Não tivemos que fazer nenhum tipo de orientação para impedir aglomerações”, avalia. A expectativa é de que aumente o movimento de veranistas nos próximos dias. “Nosso planejamento aponta que a praia vai estar bastante movimentada, tem muita gente chegando. Vamos ter uma ideia no sábado. Tem muita gente chegando do interior (do Estado)”, alertou.

MOVIMENTO FRACO NOS HOTÉIS

Em bandeira vermelha no distanciamento controlado do RS, os hotéis do Litoral Norte tiveram que restringir a ocupação dos apartamentos para 75% da capacidade. Ainda assim, de acordo com o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, a procura ficou em torno de 60%, abaixo do esperado para o feriado de Natal. As regras precisam ser seguidas pelas 23 cidades da região. Já os hotéis de beira de estrada podem disponibilizar todos os quartos.

“Alguns hotéis tiveram suas ceias de natal. Os hóspedes, devido ao sol maravilhoso e a liberação das faixas de areia, as pessoas curtiram, obedeceram as regras, com distanciamento, com sua família usando máscara, dentro do seu círculo social. A nossa expectativa, agora, é que o nosso Réveillon chegue aos 100%, na verdade, dos 75% que é permitido”, diz Ivone Ferraz, presidente do sindicato.

Para garantir mais segurança, a recomendação do setor é que os veranistas procurem hotéis com certificação do Ministério do Turismo, que garante que, no local, são seguidos os protocolos de segurança.

Pandemia afetou o setor em 2020

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), o primeiro trimestre de 2020 foi um período normal para o turismo no RS, com movimento equivalente aos dois últimos anos. Já o segundo trimestre, conforme a ABIH, teve 90% dos endereços fechados e mais de metade dos trabalhadores demitidos. O terceiro trimestre mostrou uma retomada tímida, em função dos negócios e da aviação, com o movimento abaixo de 1/3 (um terço) do economicamente praticável, o que levou ao adiamento da reabertura de quase metade dos hotéis nas grandes cidades e fechamentos de algumas unidades em várias cidades.

Para o quarto trimestre, com a aproximação do verão e dos grandes eventos, havia esperança de retomada. Porém, com o recrudescimento da pandemia, dezembro surpreendeu negativamente, com ocupações abaixo do esperado nos destinos de lazer e com a redução drástica das viagens de negócios, alem da inexistência de movimento de turistas estrangeiros. De acordo com a ABIH, a demanda anual não atingiu 30% do esperado pela oferta disponível e o PIB do turismo do estado está comprometido e a recuperação pode demorar até cinco anos.

Foto: Guilherme Almeida