A prefeitura osoriense realizou na noite de quarta-feira (1), a abertura oficial do Dezembro Vermelho na cidade. No mês dedicado a prevenção e os cuidados com o HIV/Aids, a cidade vai contar com diversas ações. O evento inicial foi realizado de maneira online e transmitido pela Página da Prefeitura no Facebook, contanto com a participação do prefeito Roger Caputi, o secretário de Saúde Danjo Renê, o Dr. Mateus Davoglio, a enfermeira Daí Lessa, o farmacêutico Vinicius Schmidt e a ativista formada em Ciências Sociais, Fabiana Oliveira.

Para começar, foi explicado o ‘por que?’ Do 1º de dezembro. O Dia Mundial de Combate à Aids é comemorado nessa data e tem por função primordial alertar toda a sociedade sobre essa doença. A data foi escolhida pela Organização Mundial de Saúde e é celebrada anualmente desde 1988 no Brasil, um ano após a Assembleia Mundial de Saúde que fixou a data de comemoração.

A Aids é uma doença causada pelo vírus HIV, geralmente por contato sexual desprotegido com pessoa contaminada, mas pode ser também transmitida por transfusão sanguínea e compartilhamento de objetos perfurocortantes. Diferentemente do que muitos pensam, ser HIV positivo não é o mesmo que ter Aids. A Aids é o estágio mais avançado da doença, quando o sistema imunológico se encontra bem debilitado. Vale frisar que ela não mata por si só, porém pode causar um grande impacto no sistema imunológico, deixando o paciente mais sujeito a outras doenças como a pneumonia, por exemplo.

Os primeiros casos de Aids foram descobertos nos Estados Unidos, Haiti e África Central em 1977 e 1978, mas só foram classificados como a síndrome em 1982, quando se compreendeu melhor a doença. No Brasil, o primeiro caso foi diagnosticado em São Paulo, em 1980, se expandindo pelo país.

Segundo Fabiana Oliveira, apenas em 1996, o país começou a caminhar em busca de soluções para o tratamento da doença. “Tudo começou com Nair Brito: uma mulher com HIV/Aids que decidiu buscar os seus direitos de cidadã. Ela entrou com uma ação judicial contra o Estado para obrigar que fosse cumprida a Constituição, passando o Estado a se responsabilizar pela compra dos antirretrovirais”, contou a integrante do Movimento Nacional das Cidadãs Positivas (MNCP).

O MNCP tem como objetivo o fortalecimento inicial das mulheres que vivem com HIV/Aids. O foco para isso é a informação. O grupo promove ações de prevenção, combate a proliferação e inclusão das mulheres nos debates sobre a doença. A meta é combater o isolamento e a inércia das pacientes, fazendo com que possam melhorar a sua qualidade de vida e de quem está a sua volta no dia a dia.

Para Fabiana, mesmo nos dias de hoje, o impacto e o preconceito com a doença seguem muito presentes. A ativista, que há 25 anos foi diagnosticada com HIV, explicou que o início é sempre o mais difícil: “Quando recebemos o diagnóstico nos deparamos com muitas dificuldades, muitos desafios, em todas as áreas da nossa vida. Passamos por duas situações de medo: primeiro com a revelação do diagnóstico e, principalmente, com a rejeição e como vamos lidar com tudo isso”.

Nessas horas, o acolhimento e a informação fazem toda a diferença, principalmente no mundo preconceituoso que vivemos. O secretário Danjo foi preciso com uma frase que ele declarou: “Para doença nós temos a prevenção e para o preconceito temos a informação”.

A enfermeira Dai Lessa, que é coordenadora do SAE Osório, lembrou do anonimato de muitas pessoas quando recebem o diagnóstico de soro positivo, devido ao medo de sofrer preconceito. “Felizmente, foi aprovada uma Lei em 2014 que garante que a discriminação contra um paciente positivo seja penalizada, por se tratar de crime”, lembrou.

Outro ponto debatido durante a live foi a questão da humanização com o paciente: “Tratar o vírus é fácil com o uso do medicamento. O complicado é o cuidado com a pessoa”, afirmou Dai Lessa. “Para que haja sucesso no tratamento, a relação médico x paciente precisa acontecer. Faz toda a diferença para a pessoa saber que tem um lugar onde vai ser ouvida e atendida”, complementou Fabiana.

O Dr. Mateus Davoglio falou sobre os desafios de lidar com os pacientes. “Cada um reage de um jeito. Isso mexe com a expectativa. São pessoas vivendo em risco social, vulnerabilidade, etc. Tu acabas se envolvendo com o paciente e as vezes acaba perdendo ele por uma série de motivos. Nesses casos é preciso ter muito jogo de cintura. É necessário ter sensibilidade, sendo esse serviço um aprendizado a cada dia”.

Já o enfermeiro Vinicius Schmidt lembrou que o HIV/Aids é uma “doença crônica tratável”, assim como a diabetes e a hipertensão, mas com toda uma discriminação envolvida ao logo da história. Para ele, um paciente pode colocar em cheque o seu tratamento, basta a pessoa não se sentir acolhida por um dos profissionais envolvidos no processo.

Quanto o combate ao preconceito com pessoas positivadas, Vinicius afirmou que essa briga só resolve com educação e informação: “É um passo lento, que começa a tomar forma a medida que mais pessoas se engajem nessa luta”, disse o enfermeiro. Já Fabiana complementou, ressaltando que esse é o trabalho do MNCP e, para fechar, deu um recado para as pessoas diagnosticadas com HIV/Aids: “Há vida após o HIV. É possível”, finalizou a representante do Movimento Nacional das Cidadãs Positivas.

PrEP X PEP – O doutor Mateus explicou a diferença entre os dois tratamentos.

A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é o uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas após terem tido um possível contato com o vírus HIV em situações como: violência sexual; relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com rompimento da camisinha), acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou em contato direto com material biológico). Para funcionar, a PEP deve ser iniciada logo após a exposição de risco, em até 72 horas; e deve ser tomada por 28 dias. Você deve procurar imediatamente um serviço de saúde que realize atendimento de PEP assim que julgar ter estado em uma situação de contato com o HIV. É importante observar que a PEP não serve como substituta à camisinha.

Já a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é o uso preventivo de medicamentos antes da exposição ao vírus do HIV, reduzindo a probabilidade da pessoa se infectar com vírus. A PrEP, deve ser utilizada se você acha que pode ter alto risco para adquirir o HIV. A PrEP não é para todos e também não é uma profilaxia de emergência, como é a PEP.  Os públicos prioritários para PrEP são as populações-chave, que concentram a maior número de casos de HIV no país: gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH); pessoas trans; trabalhadores/as do sexo e parcerias sorodiferentes (quando uma pessoa está infectada pelo HIV e a outra não).

NOVIDADES – A enfermeira Dai confirmou que o município vai passar a ter o tratamento da PrEP, sendo apenas o segundo do Litoral Norte gaúcho a conter com o serviço. O processo de implantação está bem encaminhado e só aguarda a chegada da medicação. Além disso, o SAE de Osório vai passar a contar com uma psicóloga.

Foto: Divulgação


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