Foi apresentado na tarde desta segunda-feira (12), o resultado da pesquisa sobre os impactos da pandemia no aprendizado de crianças e adolescentes do estado. Promovido pela Assembleia Legislativa do RS (AL-RS), o estudo executado pelo Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO) ouviu os gaúchos para entender as suas percepções sobre a educação no contexto da Covid-19.

Os principais apontamentos são sobre a necessidade de políticas públicas que assegurem o reforço escolar, promovam a segurança sanitária e investimentos para a aquisição de equipamentos e estrutura tecnológica para as aulas em formato híbrido.

Conforme o presidente da AL-RS, Gabriel Souza, os dados coletados servirão como base para a elaboração de proposições legislativas que contemplem o cenário atual. “São referências importantes da nossa sociedade, pais e mães, professores e cidadãos de um modo geral, que também sofrem com os efeitos da pandemia e têm contribuições significativas”, declarou o parlamentar.

A partir dos três pontos principais obtidos no estudo, o deputado destaca a criação de projetos de lei que viabilizem programas de recuperação do conteúdo para mitigar a baixa aprendizagem gerada pelo ensino remoto, sobretudo no ano passado; estipulação de protocolos sanitários, incluindo a aquisição de EPIs e outras iniciativas para que seja possível manter as aulas no formato presencial; e a compra de ferramentas tecnológicas para garantir a qualidade das aulas em formato híbrido.

Projeto incentiva qualificação das estruturas das escolas

A partir do diagnóstico apresentado pela Assembleia Legislativa, o deputado Carlos Búrigo, anunciou que apresentará na reunião da Comissão de Educação desta terça-feira (13) o projeto de lei que cria o “Programa de Incentivo à Qualificação da Infraestrutura Física e Tecnológica da Rede Estadual de Ensino”. Seguindo a metodologia do Programa de Incentivo ao Acesso Asfáltico (PIAA/RS), a proposta prevê que empresas possam destinar uma parte do ICMS devido para a qualificação da infraestrutura física e tecnológica das escolas estaduais.

Sobre o estudo

O levantamento integra as ações da Presidência da ALRS com o projeto “O RS PÓS-PANDEMIA”. A primeira fase consistiu em um debate que reuniu especialistas em educação em maio. Já a segunda etapa compreendeu a aplicação e divulgação da pesquisa sobre as tendências apontadas pelos educadores e, por fim, será feita a entrega de um pacote de ações legislativas. O ciclo de debates promoveu também discussões sobre economia e saúde. O próximo tema será desigualdade social, agendado para agosto.

Metodologia

A pesquisa teve dois principais objetivos: compreender a percepção sobre as aulas remotas na educação básica durante a pandemia e mapear a necessidade de leis/regras que ajudem na retomada das aulas presenciais, minimizando os efeitos da pandemia na educação. Para isso, foram feitas 1,5 mil entrevistas presenciais em oito regiões do estado entre os dias 19 e 24 de junho. Para os resultados foi utilizada a técnica quantitativa. A margem de erro é de três pontos percentuais. A realização é do Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO), sob a coordenação da cientista social e política, diretora do IPO, Elis Radmann.

Principais aprendizados do estudo

RETORNO DAS AULAS PRESENCIAIS – Mais da metade dos gaúchos, 55,8% acreditam que as aulas presenciais deveriam retornar apenas após a vacinação de toda população. Destacam-se os pais de alunos de escola pública. Observa-se uma diferença de opinião regionalizada: a parte Norte do Estado é mais favorável ao retorno das aulas.

MODELO DE AULAS HÍBRIDO – Os pais dividem-se quanto ao retorno das aulas presenciais no modelo híbrido. Pais de alunos de escola privada são os que mais se sentem seguros para o retorno. Questionados sobre a autorização para o retorno neste modelo, 47,8% autorizaria e 47,7% não autorizaria.

PARTICIPAÇÃO DOS PAIS – A pandemia ampliou a participação dos pais na vida escolar dos filhos, 47,8% dos entrevistados afirmam que estão mais presentes.

APRENDIZADO PREJUDICADO – Independente do tipo de escola, há um consenso de que as crianças estão com dificuldades de acompanhar 70,8% e aprender o conteúdo, 67,7%. Segundo o estudo, existe uma relação direta na percepção de que a dificuldade de acompanhar influencia no processo de ensino aprendizagem. E há três fatores que devem ser observados: emocional, tecnológico e cognitivo.

Principais proposições

EDUCAÇÃO EQUALIZADA – O principal anseio dos gaúchos está no nivelamento da educação no RS. A sugestão é a proposta de um regramento que garantisse uma certa equidade entre a educação da escola pública com a privada.

ESTRUTURA DAS ESCOLAS – As condições estruturais das escolas também estão na mira dos entrevistados, que indicam a necessidade de um regramento para que as escolas tenham sempre os recursos humanos e materiais necessários. Da mesma forma, são citados os protocolos sanitários, assim como outras questões estruturais. Na percepção de 7,6% é necessária a manutenção periódica das escolas e investimentos crescentes em tecnologia e internet.

RECONHECIMENTO E VALORIZAÇÃO – A autonomia dos professores foi registrada por 11% dos gaúchos. O desejo é para que professor esteja amparado e que tenha a capacidade de impor a disciplina necessária para conter os alunos de diferentes níveis etários e socioeconômicos. A valorização salarial da categoria é apontada como parte das falhas do sistema. Um projeto que coloque a educação no centro dos temas importantes do estado foi apontado.

REFORÇO ESCOLAR – As leis que garantam o reforço escolar representam 11,5% dos anseios. Para os pais é necessário que se compreenda o déficit de aprendizado e se estabeleçam estratégias segmentadas de recuperação de conteúdos conforme o estágio do aluno.

EVASÃO ESCOLAR – A precarização financeira causada pela pandemia exige uma política social voltada às famílias vulneráveis. Para 5,1% dos gaúchos a Assembleia deve prever um regramento que seja assertivo no atendimento das famílias com tendência de evasão escolar.

Foto: Joel Vargas