A chegada do período mais ventoso do ano, marcado pela presença do famoso ‘Nordestão’ na costa gaúcha, tem potencial para ampliar em pelo menos 13% a geração de energia eólica no RS nos próximos três meses (de setembro a novembro). Entre entidades e especialistas do setor, a expectativa é de que a “safra de ventos” de 2021 — quando as rajadas são mais fortes e constantes — ganhe potência de Norte a Sul e ajude o país a fazer frente à ameaça de racionamento.

Todos os anos, explica Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), as lufadas se tornam mais intensas, no Brasil, no segundo semestre. Nesse período, historicamente, as chuvas diminuem e a ventania aumenta. Quanto mais seco é o clima, mais farto é o vento. Nos últimos meses, o país vem sendo castigado pela maior crise hídrica em nove décadas. A aridez afeta principalmente os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste. Se falta água lá, sopra brisa abundante nas zonas litorâneas do Nordeste e do Rio Grande do Sul, que concentram a maioria dos 726 parques eólicos do Brasil.

Em agosto, a produção dos cata-ventos já representa 16% da eletricidade consumida no país, acima da média anual, de 12%. Até o fim do ano, segundo projeção da Abeeólica, o percentual deve saltar para pelo menos 20% do abastecimento. De acordo com a associação, as fontes eólicas contabilizam 19,1 gigawatts de potência, o equivalente a 10,8% da matriz elétrica nacional. De longe, o Nordeste lidera o setor (90% da capacidade está lá), mas o Rio Grande do Sul também contribui para o sistema.

À frente do Departamento de Energia da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura, Eberson Silveira ressalta que, entre setembro e novembro, a produção eólica em solo gaúcho cresce 13%, se comparada à média do ano. Isso representa incremento de 85 megawatts, produzindo 60 gigawatts-hora mensais de energia elétrica, volume equivalente ao consumo de municípios como Lajeado ou Canoas. Foi assim no período de 2018 a 2020, e a torcida é para que esses percentuais se repitam em 2021 e se ampliem nos próximos anos.

Complexo de Osório prevê aumento de até 25% na produção

Primeiro parque de grande porte inaugurado no Brasil, em 2006, o Complexo Eólico de Osório, celebra bons resultados e, graças à estação dos ventos, projeta elevar a geração de energia em até 25% até o fim do ano. “Durante os meses de setembro a dezembro, em que o regime de ventos normalmente aumenta pela presença do vento Nordeste acompanhado de um menor volume de chuva, estimamos um aumento de produção da ordem de 20% a 25%, em comparação com a produção média mensal no primeiro semestre do ano”, diz Felipe Ostermayer, diretor da Enerfín do Brasil, empresa que administra o empreendimento.

Segundo o executivo, em 2020, os parques da companhia em Osório e em Palmares do Sul superaram a produção de um milhão de megawatts-hora, quantidade equivalente ao consumo residencial de 1,7 milhão de pessoas — acima do número de habitantes de Porto Alegre. O predomínio de períodos mais secos na região tem contribuído, conforme Ostermayer, para uma geração acima da média e, em 2021, a expectativa é de repetir a marca.

Responsável pelo Parque Eólico de Tramandaí, a EDP Renováveis também prevê bons resultados no segundo semestre, embora não mencione números. Por meio de nota, a companhia diz que “situações pontuais, como a que vive o país no momento, fazem com que as fontes renováveis ganhem protagonismo”. Com a colheita de ventos no município, a EDP “tem contribuído para abastecer mais de 200 mil habitantes, aproximadamente quatro vezes o tamanho da cidade de Tramandaí”.

Foto: Amanda Menger


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