Uma temporada de verão completamente atípica aconteceu neste ano, por causa da pandemia. A falta de turistas acabou prejudicando os comerciantes, do Litoral Norte gaúcho, assim como em todo o resto do Estado e do país. Os hotéis e o comércio sofreram muito com a ausência de clientes. O único setor que conseguiu registrar avanço foi o imobiliário, que viu a clientela procurar imóveis na região, fugindo das grandes cidades, acreditando ser a praia “um local mais seguro e longe das aglomerações”. “Esta temporada foi fora da curva, atípica”, constatou a presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, Ivone Ferraz.

O setor hoteleiro está convivendo com a pandemia desde março do ano passado, somando meses de portas fechadas, e se sentindo cada vez mais prejudicado a cada decreto publicado pelo governador Eduardo Leite. “Os empresários do setor, nesta hora têm de ser criativos, e mostrar opções para as pessoas”, disse Ivone. Ela contou que o começo da temporada, em dezembro, superou as expectativas com o turismo, mas que no decorrer dos meses houve uma queda na procura.

Ivone destaca que neste ano houve ainda a ausência das pessoas que costumavam vir do exterior para o litoral norte. E mesmo quem não viajou para fora, não apareceu. “Fomos muito impactados. Mesmo com muitos hotéis baixando as suas diárias”, lamentou. “E como todo o setor da região, o verão é a época mais forte para nós, que precisamos fazer caixa para sobreviver aos meses de inverno. E agora não conseguimos nem pagar direito coisas como luz, água, impostos”, revelou. Ivone disse, ainda, que os decretos governamentais prejudicaram ainda mais. “Acredito que as pessoas estão cansadas destas determinações. A pandemia está aí, mas acredito que as pessoas têm o direito do livre arbítrio. Não devem ser impedidas de fazer o que querem. E aí ainda vai da consciência de cada um”, disparou. “Eu prego abertamente a desobediência civil”, disparou.

“Os hotéis são locais seguros, e queremos mostrar que as pessoas podem vir tranquilas. Seguimos os protocolos de segurança determinados pela Vigilância Sanitária. E outra coisa, esta determinação de fechar os bares e restaurantes às 20h é muito ruim. É neste horário que os veranistas saem para jantar. Ou seja, mais um setor prejudicado”, protestou Ivone Ferraz.

FOTO: Divulgação