policia-610x387Um vereador eleito em Arroio do Sal, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, já foi preso e denunciado por associação com o tráfico de drogas e é suspeito de assaltar um posto de combustíveis na própria cidade. Jean Michel Silva Rocha admite ter sido usuário de drogas, mas garante que não usa mais entorpecentes e nega os demais crimes.

Conhecido como Jean Téinha, o político do Solidariedade foi eleito com 247 votos. Neste ano, foi preso suspeito de envolvimento com traficantes. “Ele figura em uma atuação muito específica, segundo o que foi apurado na investigação policial e replicado na denúncia, de negociação de drogas e de balança de precisão, apetrechos para o tráfico de entorpecentes”, explica o promotor Sávio Vaz Fagundes.

No ano passado, Jean foi indiciado por suspeita de participar do assalto a um posto de gasolina da cidade. Segundo o delegado Adriano Koehler Pinto, ele foi reconhecido por quatro pessoas como cúmplice do homem que entrou no estabelecimento para cometer o crime.

“Esse roubo contou com a participação de dois indivíduos, sendo que um ficou no veículo e o outro entrou no estabelecimento. E quatro pessoas testemunharam e confirmaram a participação dos envolvidos nesse crime”, explicou o delegado.

A notícia da suposta participação de Jean no assalto surpreendeu o atual presidente da Câmara da cidade, José de Euclides Nunes da Silveira (PP). “Se o povo soubesse, não teria votado nele. Acho que isso não foi divulgado”, disse o político.

“Eu considero muito triste a lei eleitoral permitir que uma pessoa que responde a vários processos poder concorrer”, acrescenta a vereadora Nora Klingelfus (PT).

Na ficha criminal de Jean há outro episódio. Ainda em 2015, ao ser abordado na Avenida Beira Mar de Arroio do Sal, ele fugiu de uma abordagem da Brigada Militar. Como a defesa alegou problemas psicológicos, ele teve de passar por uma perícia.

“Com isso se deve realizar o exame pericial nele, exame psiquiátrico, para verificar se na época do fato ele estaria com esse problema e se esse problema o impediria de entender que estaria cometendo uma infração”, disse o promotor Octavio Cordeiro Noronha. A Justiça suspendeu o processo até sair o laudo psiquiátrico. Se o pedido for aceito, Jean escapa de uma pena que varia de seis meses a um ano de prisão.

Questionado sobre a fuga da abordagem, o futuro vereador alega que estava fora de si por ter sido dependente químico, motivo pelo qual também teria se envolvido com traficantes. “Nunca me envolvi por venda de drogas. Fui usuário, como estou falando, mas venda de droga, eu nunca vendi”, alega.

Em relação ao suposto assalto, ele desafia as testemunhas que dizem tê-lo reconhecido a provar sua participação. “Só me acusaram, nunca provaram. Eu tenho o que quero, não preciso roubar nada”, afirmou.

Teste para vereadores
Para provar que está curado, o vereador eleito mostra exames negativos para cocaína, do mês de maio, e anuncia o primeiro projeto de lei que vai apresentar quando assumir vai prever a exigência de um teste toxicológico semestral para cada vereador da cidade.

“Eles falam que a Câmara de Veradores agora só tem drogados, que só tem maconheiros, que ninguém vai saber nada do que está acontecendo, e esse projeto vai provar que não é assim que funciona. E eu quero mandar esse projeto e eu sou o primeiro a fazer esse exame”, diz o parlamentar eleito. “Todo mundo pode mudar. Esse é o pensamento que eu quero mudar de varias pessoas”, acrescentou.

Jean é filho do vereador Flademir Rocha, o Téia, também do Solidariedade. Ele ocupa o terceiro mandato e está em licença-saúde, mas promete fiscalizar o trabalho do filho. “Eu mesmo vou fiscaliza-lo, mais toda comunidade de Arroio do Sal vai fiscalizar, porque aqui é pequeno. Todo mundo sabe o trabalho dele. Se um dia ele usar cocaína novamente, serei o primeiro a interna-lo”, diz.

Fonte: G1